“O Teu Deus, Onde Está?” Uma Palavra ao Coração da Pessoa Idosa

“O Teu Deus, Onde Está?” — Uma Palavra ao Coração da Pessoa Idosa, no Salmo 42 . Meus irmãos e irmãs, nesta etapa abençoada da vida em que nos encontramos, a longevidade, enfrentamos muitas lembranças, saudades, reflexões e, por vezes, também enfrentamos silêncios.

Silêncio da saúde que já não responde como antes. Silêncio da casa que ficou mais vazia. Silêncio dos amigos que partiram. Silêncio dos filhos ocupados. E até mesmo, silêncio de Deus.

O Salmo 42 é um espelho da alma aflita. Não apenas de um jovem em crise, mas de qualquer servo de Deus, inclusive de um idoso, que já lutou muito, já venceu muitas batalhas, mas agora enfrenta o maior desafio: o desafio interior, o da alma sedenta.

No trânsito entre os Heróis das Batalhas aos Heróis da Alma encontramos nos livros de Reis, Crônicas e Samuel, homens como Davi, Elias, Josafá, isto é, Guerreiros, reis, profetas, fortes em batalha, e vitoriosos. Mas quando abrimos os Salmos, descobrimos outra face desses homens, vemos lágrimas, dúvidas, desânimos, noites escuras da alma.

É como ver um retrato antigo de um pai ou avô vestido de farda militar, forte e imponente. Mas aquele mesmo homem, anos depois, está sentado à beira da cama, olhando o vazio, refletindo sobre a vida, com os olhos marejados. A longevidade não apaga a coragem, ela a transforma. Ela a leva para dentro, para as batalhas da alma.

A Pergunta das Perguntas: “O Teu Deus, Onde Está?” O salmista, provavelmente Davi, está refugiado. Alguns estudiosos acreditam que ele esteja no deserto da Judéia. Ali, longe do templo, longe do povo, longe da rotina da fé. E os que o cercam, zombam: “Onde está o teu Deus?” Essa pergunta dói.

É como um espinho na alma. Porque ela toca num momento em que tudo parece estar desmoronando. Talvez você, meu irmão ou irmã idosa, já tenha escutado essa pergunta, se não dos outros, do seu próprio coração: Quando o corpo enfraquece.  Quando as orações parecem não ser respondidas. Quando o silêncio de Deus parece pesar sobre os dias e as noites.

Essa pergunta corta como navalha: “O teu Deus, onde está?” Diante do deserto e da pergunta cruel, o salmista olha para a natureza. Vê uma corça, uma cabra montesina, correndo ofegante em busca de água. E então diz: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por Ti, ó Deus, suspira a minha alma.”

Imagine uma idosa que foi criada na roça. Ela lembra do tempo de seca, quando os animais iam até a beira do açude seco, com a língua de fora, tentando lamber até a lama. Era sede, sede desesperada. Assim é a sede que o salmista sente de Deus. Assim é a sede que muitos de nós sentimos na velhice: não é sede de água, mas de sentido, de consolo, de presença divina.

A Alma pode estar abatida, mas com Esperança. O salmo é marcado por altos e baixos, como a vida. No verso 5, o salmista questiona a si mesmo: “Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei.”

Ele fala consigo mesmo. Ele não desiste. Ele não nega o sofrimento, mas também não entrega sua alma ao desespero. Ele se lembra que Deus ainda é Deus, mesmo quando está em silêncio. E ele afirma: “ainda o louvarei”. O “ainda” é uma palavra de fé!

Uma senhora idosa que senta todo domingo no banco da igreja, com uma Bíblia velha e gasta nas mãos, e canta com voz fraca, mas com lágrimas nos olhos: “Grandes coisas fez o Senhor por mim…” Ela está dizendo com sua vida: “Ainda o louvarei!”

Portanto queridos idosos, reconheça a sua sede. Não se envergonhe de sentir saudade de Deus. Não tenha medo de confessar: “Estou com sede d’Ele”. Fale com sua alma, como o salmista, converse com você mesmo. Lembre-se das promessas de Deus.

Aceite que até os grandes homens e mulheres de Deus choraram. Não pense que fraqueza é falta de fé. Fé verdadeira é seguir, mesmo chorando. Busque a presença de Deus, mesmo no silêncio. Leia os Salmos, ore como puder. Mesmo com poucas palavras, mesmo com voz trêmula.

Queridos. a longevidade pode ser um deserto em muitos aspectos, mas é também um jardim de memórias, de fé amadurecida, de esperança que resistiu a muitas tempestades.

Talvez a pergunta “O teu Deus, onde está?” continue ecoando. Mas hoje, podemos responder com fé: “O meu Deus está aqui. Mesmo em silêncio, Ele está presente. Mesmo em lágrimas, Ele me sustenta. E ainda O louvarei.” amém.

Ministração Rev. Pinho Borges / Locução Fábio Virtual / Para acompanhar diariamente as inspiradoras reflexões do Rev. Pinho Borges, se inscreva no Canal Pinho Borges no YOUTUBE.

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