O Encontro na Estrada de Terra.

Naquela manhã de céu azul e sol brando, o Sr. Ambrósio, um idoso morador da roça, estava sentado no alpendre de sua casinha de madeira.

Olá, eu sou Francisca virtual. Nossa coluna Contos e Causos, apresenta hoje o conto: O Encontro na Estrada de Terra.

Naquela manhã de céu azul e sol brando, o Sr. Ambrósio, um idoso morador da roça, estava sentado no alpendre de sua casinha de madeira. Ele observava o galo ciscando o terreiro enquanto afiava uma velha foice. A vida simples do campo lhe ensinara a apreciar as pequenas coisas.

De repente, ouviu o som de passos arrastados na estrada de terra que passava em frente ao seu portão. Levantou a vista e viu um homem de chapéu surrado e mochila grande nas costas. O estranho aproximou-se, com passos lentos e firmes, e parou ao pé do portão.

— Bom dia, senhor! — disse o homem, retirando o chapéu e mostrando um sorriso largo. — Sou Jonas, vendedor de Bíblias. Será que posso lhe tomar um minutinho?

Ambrósio, com a curiosidade típica de quem vive afastado do burburinho da cidade, levantou-se devagar. Seus olhos experientes examinaram o forasteiro.

— Bíblias, é? Não vejo um vendedor por essas bandas faz tempo. Entre, homem, que é bom prosear um pouco.

O vendedor agradeceu e entrou, aceitando o convite para se sentar num banco de madeira. Ambrósio ofereceu um copo de água fresca e se acomodou ao lado do visitante.

— Então, o que te trouxe até essas bandas tão afastadas? — perguntou Ambrósio, coçando a barba branca.

— A Palavra de Deus, meu amigo. Tenho andado por vilarejos e fazendas, levando Bíblias e falando com quem estiver disposto a ouvir.

Ambrósio inclinou a cabeça, pensativo.

— Sabe, eu já ouvi falar muito dessa Palavra, mas nunca tive uma Bíblia pra ler. Só ouvi falar dela por um pregador de rua na praça da cidade.

Jonas sorriu e abriu sua mochila. Retirou de lá uma Bíblia com capa de couro marrom, já gasta, mas ainda firme.

— Pois hoje o senhor terá a chance de tê-la em suas mãos. Essa aqui tem letras grandes, boas para a leitura tranquila.

Ambrósio pegou a Bíblia com cuidado, como um objeto sagrado. Passou os dedos calejados pelas páginas finas e sentiu o cheiro de papel antigo.

— Não sei ler muito bem, seu Jonas. Aprendi tarde, e os olhos já não ajudam tanto.

Jonas se inclinou para frente, olhando o idoso com simpatia.

— Não se preocupe com isso. Eu posso ler pra você. Que tal escolhermos um trecho agora?

Ambrósio concordou com um gesto de cabeça. Jonas abriu a Bíblia no Salmo 23 e começou a ler com voz pausada:

— “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará…”

As palavras encheram o ar, como se trouxessem uma brisa suave ao ambiente. Ambrósio fechou os olhos, absorvendo cada verso. Quando Jonas terminou, o idoso enxugou uma lágrima que teimava em escorrer.

— É bonito demais. Parece que essas palavras foram feitas pra minha vida.

— E foram, senhor Ambrósio — respondeu Jonas, sorrindo. — A Palavra de Deus é pra todos.

No fim da conversa, Ambrósio decidiu comprar a Bíblia. Jonas, antes de partir, prometeu voltar em breve para ler mais capítulos e ensinar o idoso a explorar as páginas sagradas.

Enquanto via o vendedor desaparecer na estrada, Ambrósio segurava a Bíblia contra o peito. Naquele dia, ele sentiu algo que não conseguia descrever com palavras: uma paz profunda, como se um velho amigo o tivesse encontrado ali, na solidão da roça.

A partir de então, as páginas daquele livro passaram a ser companheiras de suas manhãs e noites, trazendo luz ao seu coração e preenchendo seus dias de esperança e fé.

Conto criado pelo Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonews.com/Locução Francisca Virtual/Imagem AI.

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