Deus colheu a Mulher dos 500 mil folhetos

Hoje recebi a notícia que o Grande Jardineiro colheu uma preciosa rosa do Seu jardim. Há pessoas que passam pela vida em silêncio, mas deixam um eco que nunca se apaga. Maria de Lourdes foi assim. Pequena no falar, grande no agir. Daquelas presenças que não precisavam de palco, porque o testemunho já falava por si.

O sorriso que hoje nos aperta o coração era o mesmo que acolhia, aconselhava e apontava para o céu. Maria de Lourdes foi ovelha fiel no meu minitério (Rev. Pinho Borges), caminhou sob meus cuidado pastoral durante 11 anos, com humildade e obediência, entendendo que servir a Deus era, antes de tudo, amar pessoas — sem holofotes, sem aplausos, sem exigências.

E como amou. Amou a Palavra. Amou a missão. Amou as almas. Em um único ano, distribuiu cerca de 500 mil folhetos bíblicos, não por vaidade estatística, mas por urgência espiritual. Para ela, cada papel entregue era uma semente lançada, uma chance de salvação, uma oração silenciosa em forma de gesto. Enquanto muitos falavam da fé, Maria de Lourdes a colocava nas mãos do povo.
Não se espante com a quantidade. Eu ia com ela comprar. Ela ficava em frente a Igreja semeando a Palavra impressa. E mais custeava as compras.

Sua vida foi marcada pela simplicidade que constrange, pela perseverança que ensina e por uma fé que não dependia das circunstâncias. Combateu o bom combate sem alarde, terminou a carreira com dignidade e guardou a fé com firmeza. Agora, descansa.

Fica a saudade. Fica o exemplo. Fica a certeza de que o céu recebeu alguém que trabalhou muito mais do que apareceu. Maria de Lourdes não partiu vazia: levou consigo uma história cheia de frutos — muitos deles ainda germinando.

E nós seguimos, mais responsáveis, porque quem conviveu com ela aprendeu que viver é servir… até o último fôlego. Sempre citava ela nas minhas falações pelo Brasil, com certeza continuarei a falar do legado espiritual que ela espanhou na cidade do Recife, na Igreja Presbiteriana da Boa Vista. Eu e a minha esposa a tratava carinhosamente de “Lulu”. Ela viveu fisicamente para a glória de Deus.

Em Cristo. Rev. Pinho Borges.

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