Na Minha Opinião, quando o neoliberalismo transforma cada pessoa na única responsável por seu sucesso ou fracasso, a pessoa idosa é uma das mais atingidas. Depois de uma vida de trabalho, muitas vezes ela passa a ser cobrada como se ainda tivesse que provar produtividade, autonomia plena e capacidade constante de adaptação.
Na Minha Opinião, a lógica do “empreendedor de si” pesa ainda mais sobre quem envelhece. A sociedade promete liberdade e autonomia, mas nem sempre oferece saúde, renda, acessibilidade, proteção social e respeito. Assim, a pessoa idosa pode ser tratada como problema individual, quando, na verdade, enfrenta limites impostos por uma organização social desigual.
O sofrimento, a solidão, o cansaço e a dependência não podem ser vistos como falhas pessoais. Quando uma pessoa idosa não encontra apoio da família, do Estado ou da comunidade, não se deve perguntar apenas se ela se esforçou o suficiente. É preciso perguntar que tipo de sociedade abandona quem ajudou a construí-la.
Na Minha Opinião, envelhecer com dignidade não pode depender apenas da força individual. A cobrança para ser sempre ativo, saudável, independente e otimista pode esconder dores reais, perdas, dificuldades financeiras e barreiras de acesso. A pessoa idosa precisa de reconhecimento, escuta e políticas públicas, não de culpa.
Por isso, discutir neoliberalismo e pessoa idosa é discutir o valor que damos à vida em todas as suas fases. Não se trata de negar responsabilidades pessoais, mas de lembrar que ninguém envelhece sozinho. Uma velhice digna depende de vínculos, direitos, cuidado coletivo e respeito. Sem isso, a ideia de autonomia vira apenas uma forma elegante de culpar quem mais precisa de apoio.
Artigo de Pinho Borges / Produção: Núcleo de Redação da Repapi para o Portal Idosonews.com / Imagens: Arquivo da Repapi / Não esqueça de se inscrever no Canal Pinho Borges no YOUTUBE, e acompanhe diariamente as inspiradoras reflexões.
