Cabelos de Algodão, Coração de Menino

Nos fios do tempo nasceu brancura serena,
No passo mais lento ainda dança a canção,
Cada ruga acesa traz memória pequena,
Mas ri como antes no centro do coração.

Cabelos de algodão recebem luz da manhã,
Os olhos guardados ainda inventam verão,
A idade madura perfuma a vida sã,
E corre na alma a mesma imaginação.

As mãos mais cansadas semeiam ternura inteira,
A voz já pausada consola na multidão,
Quem viveu as chuvas conhece a primavera,
E brinca por dentro com doce emoção.

Sentado na praça contempla o céu dourado,
Escuta os pardais em suave oração,
O corpo mais frágil caminha descansado,
Mas salta no peito um menino em ação.

Se o espelho revela a neve sobre a fronteira,
Não mede os segredos que o tempo não põe no chão,
Há jovem eterno florindo na cabeleira,
Cabelos de algodão, coração de menino então.

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