Nos jardins da memória floresce a esperança,
O tempo borda em silêncio a delicada canção,
Cada ruga carrega a luz viva da bonança,
E o coração amadurece em suave gratidão.
As manhãs já caminham com mais serenidade,
Enquanto a alma repousa na ternura do viver,
Os passos vão sem pressa buscando a eternidade,
E os olhos aprendem novos modos de enxergar e crescer.
Velhas lembranças perfumam a sombra do caminho,
Como folhas dançando ao sopro leve do verão,
Cada saudade repousa mansa dentro do ninho,
Guardando afetos antigos nas curvas da emoção.
Há beleza escondida no cabelo prateado,
E sabedoria nas marcas desenhadas pela mão,
O tempo não destrói o que foi bem semeado,
Pois o amor permanece além da estação.
Nos jardins da memória a vida segue florida,
Mesmo quando o crepúsculo repousa sobre o chão,
Cada idoso carrega uma história construída,
Como estrelas acesas dentro do próprio coração.

