IO tempo fez morada em meu olhar,
e em silêncio ensinou-me a caminhar;
cada ruga aprendeu a conversar,
e a esperança não deixou de florescer e brilhar
IGuardo manhãs que o vento quis levar,
e tardes que insistiram em voltar;
meu coração ainda sabe sonhar,
pois a saudade também sabe abraçar.
INão vejo a idade como fim do mar,
mas como ponte estendida sobre o viver;
há muito céu depois do naufragar,
e muita luz depois do entardecer.
Carrego nomes que aprendi a amar,
e vozes que jamais irão partir;
na alma deixaram sementes a brotar,
que o tempo não consegue destruir.
O espelho mostra o que a vida quis gravar,
mas não mede a grandeza do sentir;
o tempo mora em meu olhar sem me pesar,
porque envelhecer é aprender a florir.

