Olá, eu sou Antônio Virtual. Nossa coluna Contos e Causos, apresenta hoje o conto, “As Palmas do Velho Simeão”
Meu nome é Simeão ben Eleazar. Já não sou jovem, os cabelos são brancos como as nuvens de Nazaré, e meus olhos veem com esforço o que o coração enxerga com clareza. Quando penso em tudo o que vi em meus muitos anos, nada se compara ao que meus olhos contemplaram naquele dia, em Jerusalém.
Era tempo da Páscoa, e a cidade fervilhava. Peregrinos subiam de todos os cantos, cantando os Salmos das Romagens. Eu me encontrava perto da Porta das Ovelhas, onde costumava ficar sentado com meu bastão, observando o movimento. Minha alma, apesar do corpo cansado, ainda esperava pelo Consolador de Israel.
Naquele dia, algo diferente pairava no ar, não era apenas o cheiro de especiarias e pão assado, mas uma esperança nova, pulsante, que parecia contagiar até os muros antigos da cidade.
Então eu o vi.
Um homem vinha montado num jumentinho, seguido por uma multidão. Não era cercado de soldados, mas de crianças e pobres. Não trazia espada, mas havia paz em seu semblante. Era manso, e no entanto, majestoso. Quando ele passou diante de mim, meus joelhos tremeram e meu coração reconheceu, era Ele. O Rei. O Messias.
As pessoas gritavam, Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!
Folhas de palmeiras e mantos forravam o chão. As crianças corriam, cantando, e até os rostos endurecidos dos homens se desfaziam em sorrisos e lágrimas. Alguns fariseus tentavam calar a multidão, mas o próprio Jesus respondeu, Se eles se calarem, até as pedras clamarão.
Naquele momento, meu velho coração compreendeu tudo o que os profetas anunciaram. Não era apenas um homem. Era o Rei prometido. Mas um Rei que vinha para morrer, não para matar. Um Salvador que venceria não pelo poder do braço, mas pelo poder do amor.
Voltei para casa naquele dia com as mãos trêmulas. Guardei comigo uma folha de palmeira. Está seca hoje, como tudo que é desta terra. Mas o que vi com meus olhos permanece vivo em meu espírito.
Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho, mas entrou no meu coração como Rei eterno. E ainda hoje, quando a memória me leva de volta àquele dia, repito com alegria, Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
Conto criado pelo Núcleo de Produção da Repápi para o Portal Idosonius.com/Locução Antônio Virtual
