“As Pegadas no Tempo”

Olá, eu sou Antônio Virtual. Nossa coluna Contos e Causos, apresenta hoje o conto: “As Pegadas no Tempo”.

O entardecer coloria o céu com tons de laranja e dourado, enquanto o som dos pássaros se misturava ao farfalhar das folhas no quintal. Sentados na varanda de casa, em suas cadeiras de balanço, estavam Antônio e Ester, casados há 55 anos.

Antônio, com a Bíblia aberta sobre o colo, olhou para a esposa e sorriu, os olhos marejados de gratidão. — Você lembra, minha querida, do dia em que entregamos nossas vidas a Cristo? — perguntou, com a voz embargada pela memória.

Ester sorriu, os cabelos prateados brilhando sob a luz suave do final de tarde. — Como esquecer, Antônio? Aquela noite na igreja, o pregador falava sobre o amor de Deus… Eu senti como se o próprio Senhor estivesse me chamando pelo nome.
— “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” — recitou Antônio, em voz baixa, acariciando a página de João 3, verso 16.

Ester assentiu, emocionada.
— Eu me lembro do peso que saiu dos meus ombros naquele dia… Era como se todas as culpas e medos tivessem sido levados embora. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11, versos), não foi isso que o pastor leu?
— Exatamente, minha flor… — respondeu ele, apertando suavemente a mão dela. — E veja onde o Senhor nos trouxe. Quantas lutas, quantas perdas… mas Ele nunca nos desamparou.

Ester olhou para o jardim à frente, onde brincavam os netinhos.
— E pensar que quase desistimos no início do casamento… Se não fosse o perdão de Cristo em nossos corações, não teríamos suportado.
— Verdade — concordou Antônio, emocionado. — Foi ali que eu aprendi o que diz a Palavra: “Suportai-vos uns aos outros, e perdoai-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também” (Colossenses 3, verso 13).

Ela riu, enxugando uma lágrima.
— Foram muitos anos aprendendo a perdoar… e a amar mais do que reclamar — brincou.
— E aprendendo a confiar que Deus sempre esteve conosco. Eu me recordo quando você ficou doente… Eu passei noites clamando: “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jeremias 33, verso 3).
— E Ele respondeu… — disse Ester, olhando para ele com ternura. — E aqui estamos, de cabelos brancos, mas com os corações renovados a cada manhã.

Antônio sorriu largo, o rosto enrugado pelo tempo, mas iluminado pela fé.
— E ainda firmados na promessa: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.

O silêncio se fez por um instante, quebrado apenas pelo balançar suave das cadeiras.
— Sabe, meu velho — disse Ester, depois de alguns segundos —, quando eu partir, quero que você se lembre de tudo isso. Não chore por mim. Porque “ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia”.

Antônio segurou firme a mão da esposa e respondeu, com voz segura, apesar da emoção: — Eu não vou chorar… Porque sei que nossa salvação está garantida em Cristo. E um dia, estaremos juntos diante Dele. “Ora, a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo”.
Os dois entrelaçaram as mãos, e ficaram ali, contemplando o pôr do sol, com a certeza de que, ao final da jornada, encontrariam o Salvador que os acompanhou por toda a vida.

Conto criado pelo Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonius.com/ Locução Antônio Virtual.

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