Entre o ontem cansado e o amanhã que chama,
o tempo repousa no silêncio do agora,
carrego memórias que o vento ainda inflama,
e sonhos discretos que a esperança aflora.
O relógio hesita no último segundo,
enquanto a vida respira mudança e coragem,
cada passo refaz o desenho do mundo,
e o medo se curva diante da nova paisagem.
Há despedidas leves no virar da esquina,
promessas sem grito, feitas no coração,
o passado se inclina, não prende, ensina,
e o futuro aprende a esperar a decisão.
Entre ontem e amanhã, sigo em travessia,
sem mapas certos, mas com fé no caminho,
o ano que nasce escreve em luz o dia,
e me chama pelo nome, simples e sozinho.

