A saudade, na vida da pessoa idosa, não chega de mansinho. Ela entra sem bater, senta no sofá, pede um café forte e ainda reclama que o açúcar mudou. É uma visita teimosa. Basta um cheiro de comida antiga, um rádio tocando música de antigamente ou uma foto esquecida na gaveta, e pronto: lá vem ela, com a força de quem já conhece a casa inteira.
A saudade mora, principalmente, no olhar. Não é tristeza pura, não. É aquele olhar que parece distraído, mas está viajando longe — às vezes para um quintal com chão de terra, às vezes para um baile que acabava cedo porque pai não gostava de atraso, ou para um amor que hoje só atende pelo nome de lembrança. O corpo está aqui, mas o coração foi ali rapidinho.
Engraçado é que a saudade não respeita idade nem horário. Aparece no meio da fila do banco, no remédio das oito ou quando a gente vai procurar o óculos que está… na cabeça. Aí a pessoa para, suspira e diz: “Ah, se fulano visse isso…” Fulano, coitado, já virou assunto fixo da memória.
Mas a saudade do idoso é diferente: ela não machuca tanto quanto ensina. Ela vem com histórias, risadas e um certo orgulho de quem viveu muito. Às vezes aperta o peito, é verdade, mas logo afrouxa quando vira conversa boa. No fim das contas, saudade é isso: prova de que a vida foi bem vivida — e que ainda rende boas lembranças pra contar, de preferência com café passado na hora.
Matéria: Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonews.com / Fonte: Internet / Imagens: Arquivo da Repapi / Não esqueça de se inscrever no Canal Pinho Borges no YOUTUBE, e acompanhe diariamente as inspiradoras reflexões do Rev. Pinho Borges.
