Quando Vovó Virou Influencer. Um conto bem-humorado.
Numa manhã de sábado, quando o sol ainda coçava os olhos para acordar, Dona Eulina — 78 anos, faxina nas articulações, fé inabalável e língua mais afiada que agulha de costura — decidiu que era hora de “entrar na modernidade”.
A causa dessa decisão? Simples: seu neto, Lucas, reclamara pela terceira vez que a avó só ligava para perguntar como postar foto no grupo da família. E, como todo bom jovem, terminou o sermão com a frase que acendeu o pavio: – Vó, a senhora nunca vai entender tecnologia.
E pronto. Bastou isso para ela ajeitar o coque, erguer o queixo e decretar:
— Pois agora eu vou entender tudo… e ainda vou ensinar!
Na segunda-feira, Vovó Eulina apareceu na casa de Lucas com um caderno de capa dura escrito à mão: “Plano para influenciar o mundo.” – Vó, isso é sério? — ele perguntou, rindo. – Meu filho, se tem gente ficando famosa por mostrar o café da manhã, imagine eu, que sei fazer cuscuz de verdade!
E começou a jornada. Primeiro, aprendeu a usar o celular sem apertar todos os botões ao mesmo tempo. Depois, descobriu que “live” não era nome de remédio. E por fim criou seu perfil: @VovoEulinaRealOficial, porque “se é para ser importante, tem que ter nome grande”.
O primeiro vídeo foi um tutorial de como plantar coentro sem fazer a planta morrer de desgosto. O segundo, uma aula prática de como espantar vizinho curioso usando apenas um olhar. E o terceiro… bem, o terceiro viralizou: “Como identificar fofoca em cinco segundos”. Bastaram 24 horas para alcançar dez mil visualizações — metade delas, claro, das amigas da igreja confirmando se tinham aparecido na lista.
Com o sucesso repentino, começaram os convites. Uma marca de chinelos queria que ela testasse um modelo “antiderrapante para idosas ousadas”. Outra, de panelas, pediu que ela gravasse receitas rápidas. E uma loja de moda sugeriu que ela virasse embaixadora da nova coleção “Senhora Estilosa”.
— Eu? Embaixadora? — Eulina quase caiu da cadeira. — Nem quando meu finado marido era vivo, eu embaixava nada!
Mas aceitou. Claro que aceitou. Quem iria negar roupas novas de graça?Com o tempo, Lucas parou de rir da avó e começou a pedir dicas para crescer seu próprio canal.
— Vó, como a senhora conseguiu tantos seguidores tão rápido?
Ela respondeu com a sabedoria típica de quem já viveu mais do que muita timeline suporta:
— Meu filho, o segredo é simples: seja verdadeiro. E, se nada der certo… faça cuscuz. Todo mundo gosta de cuscuz.
Hoje, Vovó Eulina grava vídeos diariamente. Tem bordões famosos, fãs fiéis e uma fila de marcas tentando estar no feed dela. Na rua, sempre aparece alguém que pede foto. Outro dia, até o carteiro pediu autógrafo — e olha que nunca tinha trazido nada além de contas.
E Lucas? Bom, ele nunca mais disse que a avó não entende tecnologia. Pelo contrário, agora termina as conversas dizendo:
— Vó, me marca naquele vídeo novo, tá?
E ela, cheia de pose, retruca: — Se eu lembrar. Sabe como é… vida de influencer é uma correria!
E assim, entre um vídeo sobre chá para insônia, uma dancinha desengonçada e um tutorial de como reclamar corretamente na fila do banco, Vovó Eulina provou que idade não é limite… é apenas mais um filtro que deixa tudo mais interessante.
Conto: Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonews.com/Fonte e Imagens: Rede Presbiteriana de Apoio à Pessoa Idosa (Repapi)/Assessoria de Comunicação: Secretaria Nacional da Pessoa Idosa da IPB
