Estudo sobre Jejum e Oração.

Idoso em Foco, Reflexão


No próximo, domingo 22 de março de 2020, os presbiterianos brasileiros, estão sendo exortados a vivenciarem um período de Jejum e Oração.

No Senhor tomei a liberdade de preparar esse breve estudo sobre Jejum e Oração que poderá ser aplicado no momento de reflexão em casa, haja visto que por conta da pandemia do Corona vírus estamos em confinamento social.

Oração e jejum são ações voluntárias de abstinência que do ponto de vista espiritual tem a finalidade de se concentrar em oração e comunhão com Deus. Jejum e Oração caminham lado a lado, mas as vezes, se jejua sem orar ou vice versa.
Mas, quando essas duas ações são combinadas e dedicadas à glória de Deus, elas alcançam maior poder.

É bom estar consciente que, jejuar e orar não é um instrumento de manipular Deus para que Ele nos atenda, pelo contrário, é uma ação pessoal ou coletiva de se concentrar e confiar em Deus em busca de força, provisão e sabedoria.

O que a Bíblia diz sobre Jejum e Oração? – No Antigo Testamento, enquanto Lei, era exigido o jejum e oração apenas, no Dia da Expiação, que também é conhecido como “o dia do jejum” (Jr 36,6) ou apenas “jejum” (At 27,9).

Mas temos vários relatos bíblicos sobre o jejum. Por exemplo:
Moisés jejuou durante os 40 dias completos no Monte Sinai no encontro com Deus (Êx 34,28). O Rei Josafá na eminência de ser atacado pelos moabitas e amonitas (2 Cr 20,3), pediu que a nação israelita jejuasse.
Diante da pregação de Jonas, os homens de Nínive jejuaram e vestiram-se de pano de saco. (Jn 3,5), e Deus poupou a cidade.
Davi em momentos de aflição ou angústia quando tomou conhecimento da morte de Saul e Jônatas jejuou e orou (2 Sm 1,12).
Neemias teve um tempo de jejum ao saber que Jerusalém estava em ruínas (Ne 1,4).
Dario, rei da Pérsia, passou a noite jejuando por ter sido forçado jogar Daniel aos leões (Dn 6,18).

No Novo Testamento também encontramos narrativas de Jejum e Oração. Como por exemplo:
Ana “não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações” (Lc 2,37).
João Batista ensinou os seus discípulos a jejuar (Mc 2,18).
Jesus jejuou por 40 dias completos no Monte da Tentação. (Mt 4:2).
A Igreja de Antioquia jejuou (At 13:2) antes de Paulo e Barnabé fazerem a primeira viagem missionária (At 13,3).
Paulo e Barnabé jejuaram e oraram para nomear os anciãos nas Igrejas (At 14,23).

Embora não haja no Novo Testamento uma exigência sobre o jejum e oração numa ação conjunta a não ser para expulsar demônios, o crente deve ter um tempo para jejuar e orar.
É comum focar jejum e oração a abstinência de alimentos, mas o motivo é concentrar a atenção e pensamento em Deus.
Vale salientar que jejum não deve ser confundido como uma punição ao corpo, uma dieta, ou um programa de emagrecimento, por isso deve ter um tempo definido.

Quando tiramos os nossos olhos e pensamentos das coisas materiais e nos concentramos ao jejum e oração entramos em maior conexão com Cristo. Lemos em Mateus 6,16-18:

“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.

Jejuar não é garantia automática para alcançar a bênção desejada, pois jejuando ou não, Deus promete responder às nossas orações desde que elas estejam de acordo com a vontade Dele, como relata 1ª João 5,14-15: “E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe temos pedido”.

No tempo do profeta Isaías, o povo reclamou porque tinham jejuado, mas Deus não respondeu como eles queriam (Is. 58,3-4). E Isaías lhes disse que jejuar e orar, sem mudança no coração, não servia para nada, era inútil (Is. 58,5-9).

Lembre-se que o jejum e oração é para a Honra e Glória a Deus. Portanto, faça do jejum e oração uma força mediadora junto a Deus. Reconquiste pelo jejum e oração o que perdemos por não saber apreciá-lo. Lembre-se que: “Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado” (Sl. 50,19).

O jejum não é um mandamento, mas é uma prática cristã. Quando feito, deve ser voltado para Deus e não para o reconhecimento dos outros, pois é um ato de renúncia pessoal e está sempre ligado a oração.

Há uma convocação para o jejum no domingo 22 de março. Devo jejuar? Sim. Não se deve jejuar por se sentir pressionado ou para parecer religioso, pois Deus não aceita esse tipo jejum, pois ele deve ser uma ação pessoal (Mt 6,16-18). Mas no momento, o Planeta, o Brasil, nosso Estado, nossa Igreja estão enfrentando a pandemia do Coronavírus e precisamos mais do que nunca das misericórdias do Deus Criador.

Jejuar é uma forma de adorar a Deus e de ouvi-Lo melhor. A principal razão para jejuar é ficar mais próximo de Deus; as outras razões são secundárias segundo o profeta. (Zc 7,5).

O jejum nos ajuda a pôr o corpo, a mente e a alma debaixo da autoridade de Deus e a vencer batalhas porque ficamos mais em comunhão com Ele.

Por exemplo: Ester, antes de falar com o rei para resolver um problema que parecia impossível, convocou um jejum de três dias (Et 4,15-17). O Livro de Atos (13,2-3), registra que Deus falou com as pessoas enquanto elas jejuavam. Por serem poupados da morte os ninivitas entraram em jejum para pedir perdão a Deus e consertar a vida (Jn 3,5-9).

Há três exemplos de jejum na Bíblia:
Jejum parcial – Durante três semanas Daniel não tomou vinho, não comeu carne ou algo prazeroso (Dn 10,2-3). Este é o mais simples e é recomendado para aqueles que não podem fazer um jejum normal ou com problemas de saúde.
Jejum normal – Abstenção de alimentos sólidos, só beber água. Este é o tipo de jejum mais praticado. Possivelmente foi este que Jesus fez no deserto. O texto de Mateus 4,1-2, diz que Ele teve fome, mas não comeu. Não fala que ele teve sede.
Jejum total – Este é o mais radical, que só aconteceu em situações extremas, como o caso de Ester, e foi limitado a de três dias.

Queridos irmãos.
Se você não está acostumado a jejuar, comece com o jejum parcial por meio dia.
Se sentir que é vontade Deus, vá aumentando aos poucos; e se tiver problemas de saúde, procure uma opinião médica antes de decidir jejuar.
Quero concluir dizendo que no dia 22 de março, quando somos conclamados a orar pela nossa nação e a nossa Igreja, que primeiro veja se é da vontade de Deus, mas não deixe de avaliar suas condições físicas e se assim o fizer, faça com moderação para a Honra e a Glória de Deus.

Rev. Pinho Borges.

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