“Elevo os olhos para os montes, de onde me virá o socorro?” Salmo 121, verso 1. Queridos. Chegar à velhice é como caminhar por uma estrada longa, cheia de histórias, curvas, saudades e cicatrizes. É também uma fase em que, muitas vezes, os olhos começam a olhar demais para baixo, para os pés cansados…para os problemas de saúde…para as lembranças dolorosas…para o medo do amanhã.
Mas o salmista nos ensina um segredo poderoso, “Elevo os olhos…” O caminho do alívio começa com o olhar certo. Olhar para cima, uma atitude de fé na velhice. O salmista não nega a existência dos problemas. Ele vê os montes, as dificuldades, os perigos, mas não se detém neles. Eleva os olhos. Isso é uma atitude de fé, uma escolha interior.
Na velhice, muitos olham apenas para o passado ou para a decadência física. Mas a fé nos convida a olhar para cima, para além das montanhas da solidão, da dor e da fragilidade.
Conta-se que certa senhora idosa vivia só, com problemas de locomoção, e quase não saía de casa. Perguntaram a ela se se sentia deprimida. Ela respondeu, “Não, porque todos os dias eu abro a janela e olho para o céu. Lá está o meu Deus, e lá está a minha esperança.” Ela sabia o que era elevar os olhos.A direção do olhar define a direção da vida. O texto diz, “Elevo os olhos para os montes…” Mas os montes não eram o destino do olhar do salmista. Ele olhava acima dos montes, além das ameaças, além dos obstáculos.
Na velhice, somos tentados a fixar os olhos, nos remédios, nos diagnósticos médicos, na falta de forças, na cadeira de rodas ou no andador, mas quem só olha para baixo, afunda como Pedro nas águas. A fé é o exercício de levantar os olhos para ver Deus acima das circunstâncias.
Quando olhamos para o alto, nosso interior é renovado. O salmista pergunta, “De onde me virá o socorro?” E logo responde, “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.” Ou seja, ao olhar para cima, ele lembra quem é Deus, o Criador, o sustentador, o Todo-Poderoso.
Lembre-se de Estêvão em Atos 7. Ele estava sendo apedrejado, mas “olhou para o céu e viu a glória de Deus”. Mesmo em meio à dor, ele encontrou consolo, porque estava olhando na direção certa.
A velhice nos convida a um olhar mais alto, mais profundo. Muitos perdem o brilho dos olhos na velhice, mas não precisam perder a direção do olhar. Deus nos convida a tirar os olhos da terra movediça dos temores e elevá-los ao trono da graça.
Um idoso, cego há mais de 20 anos, foi perguntado se sentia falta de ver o mundo. Ele respondeu, “Não vejo com os olhos, mas vejo com o coração. E no coração, ainda contemplo a bondade de Deus todos os dias.” Quem eleva os olhos da alma, vê o que os olhos do corpo não conseguem. Elevando os olhos, recebemos novo ânimo. Isaías diz que Deus “renova as forças” dos que esperam Nele. Correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão.”
Esse é o milagre que acontece quando o olhar está voltado para o alto. A velhice pode cansar os pés, mas Deus fortalece o coração. Pode tirar a pressa, mas traz profundidade.
Queridos. Hoje o Senhor te chama a mudar a direção do olhar. Pare de olhar apenas para as dores. Não se fixe nas perdas. Não se afunde nos temores.
Eleve os olhos para o Senhor que sustenta a sua alma. Para o Deus que nunca envelhece, nunca se cansa, nunca falha. Para aquele que promete estar contigo até a velhice e até as cãs (Isaías 46.4). Amém.
Ministração Rev. Pinho Borges / Locução Fábio Virtual / Para acompanhar diariamente as inspiradoras reflexões do Rev. Pinho Borges, se inscreva no Canal Pinho Borges no YOUTUBE.
