Por Pinho Borges.
07 de janeiro de 1990 – Há datas que não passam. Elas permanecem. Fazem morada na alma. Ao celebrar 36 anos de Ordenação ao Ministério Pastoral da Igreja Presbiteriana, não conto apenas o tempo — conto a graça.
Deixar-se ordenar-se é dizer “sim” sem conhecer o caminho inteiro. É colocar os pés na estrada confiando que Deus iluminará o próximo passo. Ao longo desses 36 anos, aprendi que o ministério não é feito de púlpitos apenas, mas de encontros, lágrimas, silêncios e mãos estendidas.
Sou pastor, antes de tudo: chamado para apascentar, cuidar, ouvir e caminhar junto. Preguei a Palavra em dias festivos e em manhãs nubladas, convicto de que o Evangelho sempre chega no tempo certo. Exerci a função de pregador, não como quem entrega discursos, mas como quem reparte pão.
Também sou conselheiro, muitas vezes sem respostas prontas, mas com disposição para escutar. Em salas simples, hospitais, lares enlutados e gabinetes improvisados, aprendi que presença vale mais do que palavras. Fui celebrante, nos batismos que anunciaram começos e nos funerais que exigiram esperança madura.
Exerci o papel de educador cristão, ensinando a fé reformada, formando líderes, discipulando novos convertidos e lembrando à igreja que conhecimento e piedade caminham juntos. Como administrador, cuidei da organização da casa de Deus, entendendo que espiritualidade também se expressa em responsabilidade.
Sou ainda missionário, mesmo sem cruzar oceanos: missionário no bairro, na rádio, na visita, na conversa simples. Porque missão não é geografia, é disponibilidade.
Os 36 anos não significam perfeição, mas perseverança. Houve cansaço, dúvidas e noites longas. Mas houve, sobretudo, fidelidade de Deus. Se permaneci, foi porque Ele sustentou.
Hoje olho para trás com gratidão e para frente com humildade. Continuo crendo que o ministério pastoral não se aposenta do coração. Enquanto houver voz, haverá proclamação; enquanto houver vida, haverá serviço. E sigo, como no primeiro dia, certo de uma coisa: até aqui nos ajudou o Senhor.
Rev. Pinho Borges – 07 de janeiro de 2026, 36 anos de ordenação pastoral
