Crônica – O sol ainda nem havia rompido por completo quando o rádio de pilha começou a tocar, lá no canto da cozinha. Era uma moda de viola antiga, dessas que parecem carregar poeira de estrada e cheiro de terra molhada. Naquele instante, sem precisar olhar o calendário, dava para sentir: era 3 de maio, Dia do Sertanejo.
Seu João, já de chapéu gasto e mãos marcadas pelo tempo, parou o café no meio do caminho. Não era apenas uma música — era memória. Era o retrato de uma vida inteira plantada entre o nascer e o pôr do sol. Cada verso falava de saudade, de amores simples, de partidas silenciosas e reencontros sonhados.
O sertanejo, ele pensava, não é só quem vive no campo. É quem carrega dentro de si a resistência, a fé e a simplicidade. É quem entende que a vida tem seu tempo, como a lavoura: há o tempo de plantar, de esperar e de colher. E, às vezes, de recomeçar.
Lá fora, o dia seguia como tantos outros. Mas dentro dele havia uma celebração silenciosa. Não precisava de festa, nem de aplauso. Bastava a música, o café quente e a lembrança de tudo que construiu.
Porque ser sertanejo é isso: é viver com o coração enraizado na terra, mesmo quando o mundo insiste em correr depressa demais. É saber que, no fundo, a verdadeira riqueza não está no que se tem, mas no que se vive — e no que se canta para não esquecer.
Matéria: Núcleo de Reportagem da Repapi para o Portal Idosonews.com / Fonte: Repapi / Imagens: Arquivo da Repapi / Não esqueça de se inscrever no Canal Pinho Borges no YOUTUBE, e acompanhe diariamente as inspiradoras reflexões do Rev. Pinho Borges.
