Belita: A Ovelha Saltitante de Belém.

Belita não era uma ovelha comum. Enquanto suas irmãs mastigavam a grama com resignação e baliam queixas monótonas, Belita tinha um coração que dançava. Ela era uma bola de lã branca e imaculada, com patas ágeis e olhos curiosos que pareciam ver cores onde as outras ovelhas só viam tons de cinza. Ela sonhava em saltitar entre as nuvens e acreditava firmemente que a alegria era o melhor tipo de lã.

Naquela noite fria nas colinas de Belém, Belita e seu rebanho estavam sob a guarda dos pastores, homens barbados e cansados que cheiravam a lã molhada e fogueira. De repente, o céu se rasgou em luz. Um anjo majestoso apareceu, e o coro de uma hoste celestial encheu o ar com uma melodia tão linda que as ovelhas pararam de mastigar, os pastores caíram de joelhos, e Belita sentiu uma faísca em suas pequenas patas.

O anjo trouxe a notícia: “Hoje, na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor! E isto vos servirá de sinal: encontrareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.”

Os pastores, ainda tremendo, decidiram ir a Belém. E Belita, sem hesitar, seguiu-os. Ela não entendia bem as palavras, mas sentia a alegria no ar. Era uma alegria diferente, profunda, que fazia suas patinhas quererem pular.

Chegando a um pequeno estábulo, os pastores espreitaram. Lá dentro, à luz bruxuleante de uma lamparina, estava a cena que o anjo descrevera. Um casal simples e um bebê recém-nascido, deitado sobre palha numa manjedoura. As outras ovelhas que já estavam no estábulo olhavam com tranquilidade, seus olhos gentis fixos no recém-chegado.

Mas Belita não conseguia ficar parada. Para ela, aquele bebê não era apenas um bebê; ele era a fonte daquela música linda e daquela luz que fez o céu dançar. Seu pequeno coração transbordava. Os pastores se ajoelharam reverentemente, suas vozes calmas e cheias de espanto. “É ele,” sussurrou um. “O Salvador.”

E foi então que Belita começou a saltitar. Não era um pular assustado, nem um pulo brincalhão comum. Era um salto de pura e irrestrita alegria. Ela girava em pequenos círculos, suas patinhas batendo suavemente no chão de terra, sua lã branca quase cintilando à luz fraca. Os sinos em seu pescoço tilintavam em um ritmo feliz e desordenado.

Um dos pastores, José, notou a ovelhinha. Ele sorriu, um raro sorriso largo, e murmurou: “Até Belita entende a boa nova. Ela está… dançando!”

Maria, a mãe do bebê, ergueu os olhos cansados da manjedoura e viu a ovelha saltitante. Um sorriso suave tocou seus lábios. O bebê, que até então dormia, abriu os olhos por um instante e pareceu seguir o movimento de Belita, como se a ovelha estivesse performando apenas para ele.

Belita não trouxe ouro, nem incenso, nem mirra. Ela não cantou aleluias como os anjos. Seu presente foi a expressão mais pura e inocente da alegria de um pequeno coração que reconheceu a maravilha. Ela saltitava e girava, um raio de felicidade lanosa ao lado da manjedoura, um lembrete vivo de que a vinda do Salvador era, verdadeiramente, motivo para todos os seres se alegrarem.

Quando os pastores partiram, com a notícia em seus corações e a alegria de Belita em suas memórias, a pequena ovelha finalmente se aninhou perto da manjedoura. A luz da Estrela parecia brilhar um pouco mais forte em seu pedacinho de palha, e Belita adormeceu, sonhando com campos onde as nuvens eram trampolins e a alegria nunca tinha fim.

Conto produzido pelo Núcleo de Produção da Repapi para a Coluna Contos e Causos do Portal Idosonews.com

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