Queridos irmãos e irmãs na fé, especialmente os mais experientes na caminhada da vida, aqueles que já trilharam muitas veredas, enfrentaram muitas tempestades e celebraram muitos livramentos. hoje queremos refletir sobre uma verdade profunda, porém consoladora, a vida se desenrola em desertos, mas Deus não nos abandona nele.
A Bíblia nos mostra que tudo começou em um jardim. Um lugar perfeito, sem dor, sem lágrima, sem enfermidade e sem solidão. Mas com o pecado, nossos primeiros pais foram expulsos desse jardim. E desde então, a existência humana é marcada por desertos, lugares de escassez, de calor escaldante, de sede, de insegurança, de saudade e até de silêncio da parte de Deus.
O livro de Gênesis nos ensina que Adão e Eva viviam em perfeita harmonia com Deus. No Éden, havia sombra e água fresca, havia abundância, havia comunhão com o Criador. Mas quando o pecado entrou no mundo, o homem foi expulso para um lugar de espinhos, suor e dor.
“Por isso o Senhor Deus o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.”.
Muitos de vocês conhecem bem os desertos da vida. Já passaram pela perda de entes queridos, pela doença, pela solidão, por injustiças, por lutas familiares. Já experimentaram momentos em que pareciam viver no calor do deserto da alma, sem consolo imediato. Mas saibam, Deus nunca tirou os olhos de nós, Ele caminha conosco até no deserto.
Os desertos da existência não são exceções, são o palco do nosso viver. Em todos os lados vemos sinais disso. É a doença que chega de repente e nos derruba; É a angústia de ver filhos e netos andando por caminhos de autodestruição; É a esposa que clama: “Será que Jesus ouve mesmo a minha oração?”; São os pais que oram anos a fio por um filho rebelde, e não veem mudanças; É o pai honesto que perde o emprego, e ouve a zombaria dos outros: “Cadê o teu Deus agora?” É o idoso que sente que a família já não o escuta mais, e pensa: “De que sirvo agora?” É o crente fiel que ora e jejua, e mesmo assim sofre a tragédia, e enfrenta o silêncio de Deus.
Uma senhora, já com seus 80 anos, viúva, perdeu um filho para a violência. Numa conversa, ela disse: “Pastor, eu sinto como se estivesse atravessando uma deserto sosinha.”
Mas depois, com os olhos marejados, completou, “Só não desespero porque sei que Jesus também passou por um deserto, e Ele sabe o que é dor.”
O salmista no Salmo 42 se vê assediado por essa pergunta angustiante: “O teu Deus, onde está?” Essa pergunta ecoa nos desertos da nossa vida. Quando a oração parece não ser respondida, quando os exames médicos trazem más notícias, quando a solidão grita dentro de casa.
“As minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, enquanto me dizem continuamente: Onde está o teu Deus?”
Amados, se até os “super-heróis da fé”, como Davi, Elias, Moisés, experimentaram esse questionamento, quem somos nós para não o viver também? Mas todos eles, ao final, descobriram que Deus estava presente o tempo todo, mesmo em silêncio.
O Salmo 42 começa com uma imagem marcante, “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus.”
A corça sedenta no deserto não é uma imagem de força, mas de necessidade profunda. É uma alma idosa, frágil, cansada, mas que ainda suspira por Deus. Ainda O busca. Ainda crê, mesmo sem entender.
Imagine uma senhora de cabelos brancos, que já não enxerga bem, mas todas as manhãs segura sua Bíblia e a abre com dificuldade. Seus olhos já não acompanham as letras, mas ela suspira e diz: “Senhor, eu não consigo mais ler, mas ainda te desejo como água fresca.”
Essa é a fé da corça no deserto. A fé que não depende de respostas, mas que suspira pela presença.
Deus não tirou os desertos da nossa caminhada, mas Ele entrou neles conosco. Jesus mesmo foi conduzido pelo Espírito ao deserto. Ali, jejuou, foi tentado, sofreu. Mas também ali foi fortalecido e saiu vitorioso.
“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.”
Meus irmãos, o deserto pode ser longo, a caminhada pode ser cansativa. As pernas já não têm o mesmo vigor, os olhos já não têm o mesmo brilho, mas o coração ainda pulsa com fé! E no fim do deserto, nos aguarda um novo jardim, o Paraíso restaurado, onde não haverá mais pranto, dor ou morte.
A vida se desenrola em desertos, sim. Mas no deserto aprendemos a depender. No deserto aprendemos a esperar. E no deserto, mesmo quando todos perguntam: “Onde está o teu Deus?”, nós respondemos: “Meu Deus está comigo! Ainda O louvarei. Ele é o meu auxílio!” Amém.
Ministração Rev. Pinho Borges / Locução Fábio Virtual / Para acompanhar diariamente as inspiradoras reflexões do Rev. Pinho Borges, se inscreva no Canal Pinho Borges no YOUTUBE.
