A Maturidade Feminina: Desafios, Resiliência e Cuidados…

O Rev. Pinho Borges, Secretário Nacional da Pessoa Idosa da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), é um dos colaboradores da edição da revista SAF em Revista, referente ao trimestre de junho, agosto e setembro de 2026. Nas páginas 15 e 16, o pastor assina o artigo “A Maturidade Feminina: Desafios, Resiliência e Cuidado em uma Sociedade que Envelhece”, no qual aborda, à luz dos princípios cristãos, os impactos do envelhecimento sobre a vida das mulheres e o papel da Igreja no acolhimento dessa realidade. Segue o artigo.

A Maturidade Feminina: Desafios, Resiliência e Cuidado em uma Sociedade que Envelhece O envelhecimento da população brasileira tem um rosto predominantemente feminino. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam que as mulheres representam cerca de 56% da população com 60 anos ou mais no país. Essa predominância torna-se ainda mais evidente nas faixas etárias mais avançadas: entre as pessoas com 80 anos ou mais, a maioria absoluta é composta por mulheres, fenômeno amplamente conhecido como a “feminização da velhice”.

Essa realidade é resultado de diversos fatores, entre eles a maior expectativa de vida feminina, associada a hábitos de cuidado com a saúde, maior adesão a tratamentos médicos e menor exposição a comportamentos de risco ao longo da vida, mas, é importante destacar que a longevidade, não garante, por si só, melhor qualidade de vida. A longevidade feminina traz consigo desafios sociais, econômicos, emocionais e espirituais que precisam ser compreendidos e enfrentados de forma responsável pelo poder público, pela sociedade e pela igreja.

No Brasil, a maioria das mulheres idosas reside em áreas urbanas. Embora as cidades ofereçam maior acesso a serviços de saúde e infraestrutura, também apresentam um estilo de vida acelerado que pode intensificar sentimentos de solidão, isolamento e invisibilidade social. A viuvez é uma experiência frequente entre as mulheres idosas, resultado da maior longevidade feminina em comparação aos homens. A perda do cônjuge, muitas vezes, vem acompanhada da redução da renda familiar, do enfraquecimento dos vínculos afetivos e do aumento da vulnerabilidade emocional.

Do ponto de vista da saúde, as mulheres idosas são mais acometidas porafecções osteoarticulares, como osteoporose, artrite e limitações de mobilidade. Essas condições impactam diretamente a autonomia e a capacidade de realizar atividades básicas da vida diária, aumentando a necessidade de cuidados contínuos. Soma-se a isso o desafio do acesso a cuidadores, já que as redes familiares têm se tornado cada vez reduzidas mais dispersas.

Outro dado relevante é o crescimento do número de mulheres idosas quevivem sozinhas. Estimativas indicam que aproximadamente um quinto das idosas brasileiras reside sem companhia, seja por escolha pessoal, seja por circunstâncias familiares. Ao mesmo tempo, elas também representam a maioria entre os residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), correspondendo a cerca de 60% dos acolhidos. Esse cenário evidencia a fragilidade das redes de apoio e a insuficiência de políticas públicas específicas voltadas ao cuidado da mulher idosa.

Apesar de tantos desafios, a velhice feminina também é marcada por força,resiliência e capacidade de adaptação. Muitas mulheres idosas mantêm uma participação ativa na Igreja e na Sociedade, constroem vínculos sociais significativos e encontram na fé um importante pilar emocional e espiritual. Elas participam de grupos da igreja, como SAF e Repapi, projetos sociais, ações voluntárias e atividades comunitárias, demonstrando disposição para servir, aprender e partilhar suas experiências de vida.

No contexto bíblico, encontramos exemplos inspiradores de longevidade feminina associada à fé e à esperança. Sara, mesmo em idade avançada, experimentou o cumprimento da promessa de Deus e se tornou mãe de uma grande nação. Ana, a profetisa, já idosa, servia no templo com jejuns e orações, testemunhando a fidelidade de Deus. Isabel, em sua velhice, foi agraciada com a maternidade e participou diretamente do cumprimento do plano redentor ao gerar João Batista. Esses relatos mostram que, para Deus, a idade avançada não é sinônimo de inutilidade, mas pode ser tempo de propósito, testemunho e frutificação espiritual.

Diante desse cenário, a Igreja Presbiteriana do Brasil tem um papel essencial no cuidado com a mulher idosa. Por meio de ministérios como a Sociedade Auxiliadora Feminina (SAF) e a Repapi, a igreja oferece espaços de acolhimento, comunhão, ensino bíblico e apoio emocional. Esses ambientes fortalecem a fé, combatem a solidão, promovem a autoestima e reafirmam o valor da mulher em todas as fases da vida.

Além disso, a atuação pastoral junto às mulheres idosas contribui para aconstrução de uma cultura de respeito, cuidado intergeracional e valorização da história de vida dessas mulheres. Cuidar da mulher idosa é reconhecer sua trajetória, sua contribuição à família, à igreja e à sociedade, bem como afirmar que envelhecer com dignidade, participação e esperança deve ser um compromisso coletivo.

As Escrituras nos lembram que aqueles que permanecem firmes no Senhor continuam frutificando mesmo na maturidade: “Na velhice ainda darão frutos; permanecerão viçosos e florescentes” (Salmo 92.12–14). Essa promessa revela que a velhice feminina, quando acompanhada de cuidado, fé e comunhão, pode ser uma fase rica em sabedoria, serviço e bênçãos.

Portanto. Valorizar a maturidade feminina é honrar o propósito de Deus em cada etapa da vida. Sabendo que em uma sociedade que envelhece, a maturidade feminina revela desafios, mas também expressa resiliência, sabedoria e cuidado, tornando-se um testemunho vivo de fé, dignidade e contribuição contínua.

Rev. Pinho Borges. Secretário Nacional da Pessoa Idosa da Igreja Presbiteriana do Brasil. Pós-graduando em Gerontologia na Universidade Anhanguera.

Capa da Revista/Páginas 15 e 16