?Envelhecer com confiança

Envelhecer com qualidade é nunca perder a confiança –Não veja o envelhecimento como um castigo, quem assim procede transforma a vida em perpétua ansiedade. Pessoas que enxergam o mundo com atitudes negativas não são capazes de produzir bons frutos e precisam aceitar o conselho de Jesus que disse aos seus discípulos: “Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, nem quanto ao corpo, pelo que haveis de vestir[1]. Sabemos que precisamos de provimentos para o corpo físico, mas lembre-se que Deus é o melhor e maior provedor que existe. No caminhar em direção ao envelhecimento com qualidade é necessário desenvolver confiabilidade no presente e projetá-la para o futuro.

O Salmista se referindo à confiança escreve: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará”[2]. Confiar é direcionar esperança para alguma coisa. É uma expectativa positiva de uma realidade futura.

A confiança é um processo construtivo que ajuda na busca de uma melhor qualidade de vida e é adquirida individualmente após passar por várias veredas da natureza pessoal, pois quem confia não tem medo dos riscos que pode ocorrer.

Quanto a confiança existem dois tipos de pessoa: (1) aquela que não assume riscos, e procura ter o controle das coisas nos mínimos detalhes antes de depositar sua confiança em algo; no geral desconfia até de sua capacidade. Comporta-se como Moisés diante do chamado de Deus: “Ah, meu Senhor! eu não sou homem eloquente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua”[3]. Moisés não queria correr risco voltando à terra de onde fugira. (2) aquela que está disposta a assumir riscos e não perde tempo calculando o que pode sair errado, pois acredita em resultados positivos como o profeta Isaías que depois de “Ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse: Eis-me aqui, envia-me a mim”[4], colocando-se a disposição de Deus como agente orientador para melhorar a qualidade de vida do povo de Israel.

A confiança gera na pessoa um estado emocional equilibrado eliminando o medo dos riscos; uma pessoa que possui bom nível de ajuste emocional vive de bem com a vida, vê o mundo com olhos da bondade e desenvolve de forma rápida um alto nível de confiabilidade, pois tem certeza que aquilo que é ruim pode ser algo positivo como disse Davi: Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”[5].

Por outro lado há pessoas que possuem alguma dificuldade emocional e vivem como se estivessem rodeadas de ameaças sendo, portanto ansiosas e levam muito tempo para externar confiança, a exemplo de Ana, a futura mãe do profeta Samuel[6], que no meio de uma crise de ansiedade perdeu a própria identidade e o controle de seus atos como mostra o texto: Não tenhas, pois, a tua serva por filha de Belial; porque pelo excesso da minha ansiedade e da minha aflição é que tenho falado até agora”, e que só teve sua vida normalizada quando passou a confiar de forma plena em Deus.

O grau de confiabilidade depende de como a pessoa é emocionalmente ajustada e confiante no futuro, principalmente se crer na promessa de que na velhice produzirá frutos, pois a confiabilidade requer a presença de autoridade. Um dirigente de um time de futebol pernambucano comentando a saída do técnico e a contratação de um novo técnico declarou na mídia que ia escolher uma pessoa com autoridade e que passasse confiança à equipe. Confiabilidade na autoridade é algo comum e é por essa razão que muitas pessoas na hora de tomar a decisão de confiar procuram medir se o objeto da confiança está em posição de punir aqueles que violarem sua confiança.

Confiando na autoridade de Deus o salmista declara: “Em ti, Senhor, confio; nunca me deixes confundido. Livra-me pela tua justiça[7]. Se o objeto da confiança não possuir autoridade, a confiabilidade é mínima como, por exemplo, o sistema policial brasileiro. É mínima a confiabilidade nas polícias e isso provoca um estado de insegurança, apesar de nem todos os riscos serem iguais, mas a crise de desconfiança vivida hoje é fruto da insegurança instalada em todos os setores sociais.  Quando há autoridade aumenta a confiabilidade e o risco diminui ou desaparece. Esta redução dos riscos leva a uma melhoria da qualidade de vida.

Quando se contrata um advogado o que conta é a qualificação do mesmo e as condições de interação entre os pares; além de competência o alvo da confiança precisa ser integro, pois na decisão de confiar, integridade é fator indispensável. Qualquer comportamento fora do padrão do alvo da confiança é visto com suspeição; quando o alvo da confiança diz uma coisa e faz outra a confiança é fragilizada Seja, porém, a tua palavra: sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”[8], recomendou Jesus.

No mundo globalizado a confiabilidade tem sido maculada com o interesse excluso de uma sociedade que prioriza o material. Atualmente a confiança apresenta aspecto diferente do passado como a similitude entre a pessoa. É mais fácil confiar naqueles que apresentam as mesmas similitudes e valores comuns como pertencer a mesma religião, ao mesmo grupo social ou mesmo gênero. A decisão de confiar ocorre a partir das semelhanças e interesses.

Na atualidade é comum a pessoa antes de depositar confiança em algo, analisar a probabilidade de que seus interesses, serão atendidos, isto é, se os interesses são compatíveis aos das pessoas, a confiança é uma resposta positiva.

(Extraído do livro: Envelhecimento. O que todos precisam saber. Autoria: Pinho Borges)


[1] Lucas 12,22. [2] Salmos 37, 5. [3] Êxodo 4,10. [4] Isaías 6,8. [5] Salmo 23,4. [6] 1 Samuel 1:16.  [7] Salmos 31,1. [8] Mateus 5,37. 

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