Especialista explica, em linguagem simples, o que são co-housing, repúblicas e residenciais colaborativos
Para ajudar idosos e familiares a entender melhor as novas opções de moradia compartilhada, conversamos com Dra. Helena Moura, gerontóloga e pesquisadora de modelos de convivência para pessoas idosas. Na entrevista, ela explica de forma clara e acolhedora como esses espaços funcionam e por que estão ajudando tantas pessoas a viver com mais companhia, segurança e alegria.
Repapi: Dra. Helena, o que são esses novos modelos de moradia para idosos que tanta gente comenta?
Dra. Helena: Eles são jeitos diferentes de morar que ajudam as pessoas idosas a viverem com mais companhia e menos solidão. Em vez de cada um ficar isolado em casa, esses modelos aproximam as pessoas. A ideia é simples: morar perto de outras pessoas da mesma idade, dividir alguns espaços e criar um ambiente de amizade.
Repapi : Vamos por partes. O que é o co-housing?
Dra. Helena: O co-housing é como um pequeno condomínio onde cada idoso tem sua própria casa ou apartamento, mas todos compartilham algumas áreas, como jardim, sala de atividades, cozinha comunitária ou espaço de convivência. A vantagem é que cada pessoa mantém sua privacidade, mas nunca está sozinha. Sempre tem alguém por perto para conversar, para tomar um café ou ajudar quando precisar.
Repapi: E as repúblicas para idosos, como funcionam?
Dra. Helena: As repúblicas são casas onde dois, três ou mais idosos decidem morar juntos. Eles dividem despesas, tarefas e o dia a dia.
É como morar com amigos. Muita gente escolhe esse modelo porque fica mais barato, mais animado e muito mais seguro do que morar sozinho. Uma pessoa lembra o horário do remédio, outra acompanha numa consulta… vai formando uma pequena família.
Repapi: Os residenciais colaborativos são parecidos?
Dra. Helena: São parecidos, mas têm mais estrutura. Nesse modelo, o idoso mora em seu próprio quarto ou apartamento, mas o local oferece alguns serviços, como refeitório, atividades físicas, oficinas, música e às vezes até profissionais de saúde. A diferença é que tudo é feito de forma participativa. O idoso não perde autonomia. Pelo contrário: ele ajuda a decidir as atividades e contribui com a convivência do grupo.
Repapi: Por que essas formas de morar são tão importantes hoje?
Dra. Helena: Porque a solidão está ficando muito comum entre idosos. Muita gente perde o companheiro, os filhos seguem suas vidas, alguns moram longe. Isso faz com que muitos idosos fiquem horas e dias sem conversar com ninguém. E isso faz mal para o corpo e para a mente.
Esses modelos de moradia devolvem o convívio, o carinho e o movimento diário. Quando o idoso tem companhia, ele come melhor, se exercita mais, dorme melhor e fica mais animado para viver.
Repapi: Esses modelos tiram a independência do idoso?
Dra. Helena: De jeito nenhum. A grande ideia é justamente o contrário: dar mais independência. Quando o idoso vive com outras pessoas, ele se sente mais seguro. Ele pode fazer suas próprias escolhas, sem depender totalmente da família ou de cuidadores. E, ao mesmo tempo, saber que tem alguém por perto traz tranquilidade.
Repapi: Qual modelo é melhor?
Dra. Helena: Não existe o “melhor”. Existe o que combina mais com o jeito de cada pessoa. Quem gosta de privacidade pode preferir o co-housing.
Quem é mais social pode se dar bem numa república. Quem quer praticidade e atividades prontas pode preferir um residencial colaborativo.
O importante é escolher um lugar onde a pessoa se sinta bem, segura e respeitada.
Repapi: Para terminar: qual mensagem a senhora deixaria para os idosos?
Dra. Helena: Que envelhecer não precisa significar ficar sozinho. Existem muitas formas de viver essa fase da vida com alegria e convivência. Moradia compartilhada não é perda, é ganho: de amigos, de segurança, de cuidado e de vida. Cada idoso merece viver em um lugar onde se sinta acolhido e valorizado — e esses modelos de moradia podem ser um caminho lindo para isso.
Matéria: Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonews.com / Fonte e Imagens: Arquivo da Repapi. Não esqueça de se inscrever no Canal Pinho Borges no YOUTUBE, e acompanhe diariamente as inspiradoras reflexões do Rev. Pinho Borges.
