O Céu desceu na Casa de Irmã Candinha

Olá, eu sou Antônio Virtual. Nossa coluna Contos e Causos, apresenta hoje o conto: O Culto que fez o Céu Descer na Casa de Irmã Candinha

Na pequena comunidade de Alto dos Louvores, onde o galo canta mais cedo que o rádio da igreja, vivia Irmã Candinha, uma mulher idosa, de passos lentos, mas oração forte, conhecida por sua fé fervorosa e seus bolos de milho ungidos — como brincavam os jovens da congregação.

Candinha era viúva há mais de vinte anos, mas nunca esteve só: dizia que Jesus era seu esposo fiel, e que o Espírito Santo fazia companhia nas noites de dor no joelho e saudade do tempo da mocidade.

Naquela semana, o pastor anunciou que os cultos nos lares voltariam, e logo o nome dela foi o primeiro da lista.

— “Vai ser na casa de Candinha”, disse o presbítero Josué, “porque ali muita gente aparece”.

Chegou o dia. A casa simples foi arrumada com esmero: toalhinha bordada na mesa, jarro com flores artificiais e a Bíblia aberta no Salmo 91. Os bancos da varanda foram emprestados pelos vizinhos, o ventilador do neto foi colocado na parede e até o rádio que sempre chiava ficou calado naquele dia — como se soubesse que o céu estava prestes a visitar a terra.

Às 19h em ponto, chegaram os primeiros irmãos. A missionária Luzia com sua harpa afinada, o irmão Cipriano com o pandeiro da mocidade de 1982, e dona Geralda com sua bengala que batia no ritmo dos louvores.

O culto começou simples: dois hinos, oração inicial e testemunho. Mas quando Irmã Candinha foi convidada a orar pelos enfermos, algo diferente aconteceu.

Ela se levantou devagar, segurando a borda da mesa, fechou os olhos e disse com voz firme:

— “Senhor, esta casa é pequena, mas o Teu céu é grande. Desce aqui com tua glória, visita cada coração cansado, cura, salva e renova…”

De repente, o que era só oração virou avivamento. O ambiente mudou. O ventilador parou, mas ninguém sentiu calor. Lágrimas correram, mãos se ergueram, hinos foram entoados sem ensaio. Até o menino do vizinho — que só vinha para comer bolo — ficou em pé com os olhos marejados.

Houve confissão de pecados, reconciliação de um irmão afastado. Quando o culto terminou, ninguém queria ir embora. Ficaram ali, cantando baixinho, como se quisessem guardar um pouquinho do céu dentro da casa de Candinha.

No domingo seguinte, o pastor comentou:

— “Irmãos, parece que o culto da irmã Candinha foi tão forte que até o céu teve que descer para ver de perto. E quando o céu desce… nada fica igual.”

Desde então, aquele culto virou referência em Alto dos Louvores. E até hoje, quando alguém precisa de uma resposta de Deus, o povo diz:

— “Vai lá na casa de Candinha. Quem sabe o céu não resolve descer de novo?”

Conto criado pelo Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonius.com/Locução Antônio Virtual.

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