O Dia da Poesia, celebrado em 14 de março, amanhece sempre de maneira silenciosa, como se as palavras ainda estivessem despertando dentro das pessoas. Não há trombetas nem grandes desfiles; há apenas o sol atravessando a janela e pousando suavemente sobre a mesa onde repousa um caderno antigo. É ali que a poesia costuma nascer — discreta, paciente, esperando alguém que a escute.
A poesia não vive apenas nos livros ou nas páginas de um caderno. Ela mora nos detalhes que passam despercebidos pela pressa do mundo. Está no riso leve de uma criança correndo pela rua, no olhar sereno de um idoso sentado à porta de casa recordando histórias que o tempo guardou, no vento que atravessa a tarde carregando lembranças. A poesia é essa capacidade de enxergar beleza onde muitos veem apenas rotina.
Neste 14 de março, percebo que a poesia é uma forma delicada de resistir ao esquecimento. Cada verso é uma tentativa de guardar um instante: o cheiro do café recém-passado, a saudade de quem partiu, a esperança que insiste em nascer mesmo depois de dias difíceis. A poesia recolhe esses pequenos fragmentos da vida e os transforma em palavras que permanecem.
Talvez o poeta seja apenas alguém que escuta com mais atenção. Alguém que transforma silêncio em linguagem e sentimento em verso. Quando o mundo parece duro e apressado demais, a poesia aparece como um sopro de humanidade, lembrando que a vida não é feita apenas de obrigações, mas também de sensibilidade, memória e afeto.
No Dia da Poesia, compreendo que ela não pertence apenas a quem escreve. Ela vive nas pessoas, nos gestos simples, nas histórias que atravessam gerações. A poesia está onde alguém olha o mundo com ternura e decide traduzir esse olhar em palavras. E assim, enquanto houver quem escreva, quem leia e quem sinta, a poesia continuará caminhando conosco — silenciosa, mas viva — como um verso eterno que a vida insiste em continuar escrevendo.
Matéria: Núcleo de Poesia da Repapi, para o Portal Idosonews.com
