Na pequena cidade de Vila Sereno, um destino quase poético no coração do interior, havia um mistério que intrigava todos os viajantes do Hotel Recanto do Sol.
A nossa Coluna Contos e Causos hoje apresenta o conto. Pense num Galo Chato.
Na pequena cidade de Vila Sereno, um destino quase poético no coração do interior, havia um mistério que intrigava todos os viajantes do Hotel Recanto do Sol. Desde o primeiro raiar do dia, quando o relógio se aproximava das quatro horas, ouvia-se o eco inconfundível de um canto irritante e intermitente. Era um galo — ninguém sabia ao certo de onde vinha, apenas que, sem falhas, ele cantava alto o suficiente para despertar cada hóspede do hotel.
Os hóspedes acordavam atordoados, murmurando entre si no café da manhã. O assunto da mesa era sempre o mesmo: “Alguém sabe onde está aquele galo insuportável?” Em meio a risadas e bocejos, alguns hóspedes mais criativos sugeriam que o almoço daquele dia deveria incluir um “franguinho à moda da casa”, com o famigerado galo como ingrediente principal. No entanto, mesmo os funcionários do hotel, acostumados ao canto diário, admitiam que nunca o tinham visto; o galo parecia tão intocável quanto o vento que soprava sobre os montes ao redor.
Tentaram, durante algumas manhãs, seguir o som. Armados com lanternas e prontos para caçar o misterioso despertador, formaram uma comitiva de hóspedes e funcionários, guiados pela esperança de um sono tranquilo. Mas nada adiantava: o canto parecia saltar de árvore em árvore, de telhado em telhado, sem nunca se mostrar. Alguns sugeriam que o galo habitava o terreno baldio ao lado do hotel, outros diziam que ele se escondia no cemitério antigo, mas ninguém sabia ao certo.
Com o tempo, as teorias aumentavam. Uns diziam que o galo era trinado a lembrar aos dorminhocos que a manhã era para ser aproveitada cedo. Outros, que ele era um ser astuto, dotado de inteligência rara, que sabia fugir das garras humanas para continuar sua missão de acordá-los. O mistério permaneceu, e o galo nunca foi encontrado, tampouco incluído em qualquer panela de barro ou cardápio do almoço.
Assim, o Hotel Recanto do Sol ganhou fama pela “lenda do galo invisível”. Hóspedes do país inteiro vinham conhecer o lugar, e alguns até disseram que o canto do galo, irritante no começo, tornava-se quase encantador com o tempo. E assim, o galo invisível de Vila Sereno continuou seu reinado matinal, desafiando o sono e a paciência de todos, e garantindo sua liberdade nas sombras de cada amanhecer.
Matéria produzida pelo Nucleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonews.com/Locução Manoela Virtual
