Coluna Idoso & Saúde.
Cuidar de uma pessoa idosa em fase avançada da vida é um gesto que ultrapassa técnicas, protocolos ou rotinas. É, acima de tudo, um exercício profundo de humanidade. A longevidade traz conquistas, mas também fragilidades. Nesse cenário, a empatia se revela o elemento central capaz de transformar a assistência cotidiana em um ato de amor, respeito e dignidade.
A empatia — a capacidade de se colocar no lugar do outro — não é apenas uma virtude desejável; ela é uma necessidade na atenção ao idoso que enfrenta limitações físicas, emocionais ou cognitivas. A escuta sensível, o olhar atento e o cuidado que percebe o indivíduo antes da doença fazem toda a diferença nos momentos em que a vulnerabilidade ganha espaço.
Idosos em fase avançada costumam enfrentar perdas progressivas: da autonomia, da mobilidade, da memória ou até do senso de identidade. Essas mudanças, muitas vezes silenciosas, têm impacto profundo na autoestima e no bem-estar emocional. Por isso, o cuidado centrado na empatia valoriza não apenas o que o idoso ainda pode fazer, mas também aquilo que ele sente, teme ou deseja comunicar — mesmo quando as palavras já não fluem com facilidade.
Profissionais de saúde, familiares e cuidadores formais ou informais são chamados a desenvolver uma sensibilidade especial: perceber nuances, respeitar ritmos, acolher fragilidades e oferecer segurança. A empatia permite compreender que cada gesto simples — segurar a mão, falar com calma, explicar cada procedimento, respeitar o tempo da resposta — ajuda a reduzir medos, prevenir agitações e fortalecer vínculos.
Outro aspecto fundamental é reconhecer a história de vida que cada pessoa idosa carrega. Valorizar memórias, rituais pessoais, preferências e crenças mantém viva a individualidade. Cuidar com empatia, portanto, não é apenas atender necessidades físicas, mas nutrir o sentido de pertencimento e continuidade, aspectos essenciais para quem atravessa fases delicadas da velhice.
A empatia também favorece uma comunicação mais clara entre equipe, família e idoso. Quando há compreensão mútua, decisões difíceis — como mudanças no plano de cuidado, adaptações no ambiente ou transições para cuidados paliativos — são tomadas com serenidade e respeito. A relação se torna menos técnica e mais humana, reduzindo conflitos e fortalecendo a confiança entre todos os envolvidos.
Em um tempo em que o envelhecimento populacional exige novas respostas sociais e de saúde, cuidar com empatia é reconhecer que, por trás de cada rugas, há uma vida inteira que merece ser tratada com delicadeza e reverência. É entender que o idoso em fase avançada não precisa apenas de remédios ou monitoramentos; precisa de presença, paciência e afeto.
A arte de cuidar, portanto, é uma construção diária. Ela nasce do compromisso com a dignidade humana e se concretiza em atitudes que acolhem, confortam e valorizam a pessoa idosa em sua integralidade. Quando a empatia guia o cuidado, o envelhecer se torna mais leve, e o ato de cuidar se torna menos um fardo e mais um privilégio.
Matéria: Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonews.com / Fonte e Imagens: Rede Presbiteriana de Apoio à Pessoa Idosa (Repapi) / Assessoria de Comunicação: Secretaria Nacional da Pessoa Idosa da IPB
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