O reajuste de 3,9% nos benefícios do INSS acima do salário mínimo, válido desde 1º de janeiro de 2026, representa um alívio pontual, porém limitado, para milhões de pessoas idosas que dependem exclusivamente da Previdência Social para sobreviver. Embora o aumento acompanhe o INPC, índice oficial da inflação, ele não resolve — e tampouco neutraliza — o impacto real do custo de vida enfrentado por essa parcela da população.
Na prática, o reajuste preserva parcialmente o poder de compra, mas não recompõe perdas acumuladas. Despesas essenciais para o idoso, como medicamentos, planos de saúde, alimentação especial, transporte e moradia, historicamente sobem acima da inflação média. Isso significa que, mesmo com o aumento anunciado, muitos aposentados continuam “correndo atrás do prejuízo”.
Outro ponto sensível é o efeito psicológico e financeiro da diferença entre quem recebe o piso previdenciário e quem ganha acima do salário mínimo. Enquanto o piso acompanha o reajuste do salário mínimo nacional, os benefícios maiores ficam restritos à correção inflacionária. Na prática, isso provoca uma redução relativa da renda de quem contribuiu por mais tempo ou com valores mais altos, achatando gradualmente os benefícios ao longo dos anos.
Para os idosos que recebem valores próximos ao teto — agora fixado em R$ 8.475,55 — o reajuste representa um ganho nominal maior, mas ainda assim insuficiente para compensar aumentos expressivos em serviços como saúde privada e medicamentos de uso contínuo. Já para quem está logo acima do piso, o acréscimo mensal é pequeno e rapidamente absorvido por contas básicas, como energia elétrica, gás e alimentação.
No caso dos beneficiários do BPC/LOAS, que seguem vinculados ao salário mínimo, o valor de R$ 1.621,00 continua sendo claramente insuficiente para garantir dignidade, especialmente em grandes centros urbanos. Trata-se de uma renda que mal cobre despesas essenciais, obrigando muitos idosos a depender de familiares ou a recorrer a políticas assistenciais complementares.
Do ponto de vista da educação financeira, o reajuste reforça a necessidade de planejamento rigoroso. O idoso precisa rever gastos, priorizar despesas essenciais e evitar endividamento, sobretudo com crédito consignado, que costuma crescer em períodos de reajuste, quando há a falsa sensação de aumento real de renda.
Em síntese, o reajuste anunciado cumpre a função legal de correção monetária, mas expõe uma realidade incômoda: envelhecer no Brasil segue sendo financeiramente desafiador. Para além dos índices oficiais, o debate que se impõe é sobre políticas públicas capazes de garantir não apenas a sobrevivência, mas a dignidade econômica da pessoa idosa.
Matéria: Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonews.com / Fonte: Internet/Assessoria de reportagem SNPI / Imagens: Arquivo da Repapi / Não esqueça de se inscrever no Canal Pinho Borges no YOUTUBE, e acompanhe diariamente as inspiradoras reflexões do Rev. Pinho Borges.
