No espelho da vida revejo quem fui,
O tempo bordou lembranças serenas.
A infância distante jamais se ruiu,
Carrego nos olhos memórias pequenas.
Os anos
passaram, mas sigo a sonhar,
Pois cada saudade em mim ainda mora.
O vento do tempo não pode apagar,
O brilho que nasce do ontem pra agora.
Minhas mãos
guardaram o suor da razão,
Segredos antigos, canções esquecidas.
Deixei no caminho pedaços de pão,
Alimento de amor pra tantas partidas.
Rugas são mapas
do que já vivi,
Marcas sutis que o tempo desenha.
E mesmo que o corpo se curve daqui,
A alma é mais leve, é livre, é lenha.
Se o fim me encontrar, será só começo,
Pois tudo é passagem na estrada da vida.
Do pó eu vim, e a ele regresso,
Mas deixo um legado: a fé bem erguida.

