Hoje a coluna MINHA OPINIÃO, com o Rev. Pinho Borges, apresenta o comentário. A Previsão da Velhice da Geração Z: Uma Alvorada de Incertezas?
Vivemos em um tempo de transição veloz. Tecnologias avançam, profissões desaparecem, outras surgem, e a lógica da vida adulta parece ter sofrido uma espécie de reconfiguração. No meio desse redemoinho, está a Geração Z, nascida entre o final dos anos 1990 e meados de 2010, está atravessando sua juventude em meio a dilemas que ultrapassam os antigos desafios de “o que ser quando crescer”. Agora, a pergunta que ecoa é: “Como será envelhecer?”
Na Minha opinião a Geração Z está desconectada da escada tradicional. Historicamente, estudo e trabalho formavam os degraus sólidos que levavam à estabilidade econômica, à construção de patrimônio e a uma velhice com alguma dignidade. Mas uma parte significativa da Geração Z parece estar alheia ou até desencantada com esse caminho.
A evasão escolar ainda é uma realidade, e mesmo entre os que permanecem nos bancos acadêmicos, muitos têm dificuldade de enxergar sentido prático naquilo que estudam. Paralelamente, a inserção no mercado de trabalho também ocorre tardiamente, ou de forma fragmentada, muitos são os que flutuam entre trabalhos informais, “bicos” digitais e empregos temporários.
Na Minha opinião essa desvinculação precoce entre educação, e mercado de trabalho compromete o acúmulo de competências essenciais para a empregabilidade futura. Sem qualificação sólida e sem experiência profissional consistente, a base para uma velhice segura começa a ruir antes mesmo da vida adulta se consolidar.
Imagine João, geração Z, aos 7 anos. Será apenas um idoso digital invisível. Passa os dias no mesmo quarto onde, aos 20, viralizou com vídeos engraçados no celular. Ganhou muitos seguidores, mas nunca se profissionalizou. Não tem aposentadoria, não construiu carreira. Hoje vive com a ajuda do sobrinho, que mal cobre as contas da casa. As curtidas que colecionava se tornaram memórias sem valor prático.
Hoje, os jovens mais engajados enfrentam um mercado cada vez mais volátil. A chamada “uberização” do trabalho transformou a promessa de carreira estável em uma colcha de retalhos de ocupações efêmeras e mal remuneradas. Isso não é apenas um problema do presente, mas um aviso severo sobre o futuro.
Na Minha opinião a geração Z, assumem Trabalhos informais, ou com vínculos frágeis e geralmente não contribuem para a Previdência Social. Com isso, a Geração Z corre o risco de envelhecer sem acesso à aposentadoria pública, e sem capital acumulado para garantir sustento próprio. Em outras palavras: podem ser jovens digitais hoje, e idosos desamparados amanhã.
Imagine, Maria, 68 anos de idade, enfrenta a longa espera por um benefício assistencial em um centro social. Trabalhou por décadas como designer freelancer, sem contrato ou carteira assinada. Nunca contribuiu com o INSS. Agora, sobrevive de favor, esperando que o Estado a reconheça como alguém que merece amparo, mesmo sem registros formais de sua longa labuta.
Vejo na Geração Z, um amanhã financeiramente frágil. A autonomia financeira, um marco de maturidade, parece mais distante para essa geração. O custo de vida elevado, a ausência de empregos estáveis e o consumo muitas vezes impulsionado por tendências digitais dificultam a prática da poupança. O futuro, que exige planejamento, é frequentemente ofuscado pela cultura do “agora”.
Essa realidade prenuncia um impacto econômico e social profundo. Idosos financeiramente dependentes da família ou do Estado geram pressões sobre a previdência pública e sobre as estruturas de apoio social. O resultado pode ser o aumento da desigualdade e a sobrecarga das futuras gerações produtivas.
Uma exceção que confirma a regra. André, 66 anos, soube aproveitar as oportunidades. Estudou por conta própria com cursos gratuitos, buscou experiência desde cedo, diversificou fontes de renda e manteve controle financeiro. Mesmo com as dificuldades do mercado, conseguiu montar uma pequena empresa digital e planejar sua aposentadoria com antecedência. Hoje vive com dignidade, mas sabe que é parte de uma minoria.
Na minha opinião, o futuro ainda pode ser reescrito.
A previsão da velhice da Geração Z não é uma sentença, mas um alerta. Há tempo de mudar o curso, de fomentar políticas públicas voltadas à inclusão produtiva da juventude, de valorizar a educação técnica e de reconectar o jovem à perspectiva de futuro.
Do contrário, em poucas décadas, o Brasil poderá ter uma legião de idosos com histórico digital brilhante, mas uma vida real marcada pela fragilidade social e econômica.
Na minha opinião, a velhice começa a ser construída ainda na juventude. Ignorar isso é construir um futuro com os pés na areia movediça. E o tempo, esse sim, não perdoa.
Texto Rev. Pinho Borges/Núcleo de Produção da Repápi para o Portal Idosonius.com/Locução Júlio Virtual
