A Professorinha e o Bê-á-Bá: Um Retrato de Saudade

Nossa homenagem aos professores – Há uma saudade que mora nos cadernos antigos, nas folhas amarelecidas pelo tempo, onde o lápis tremia nas mãos pequenas enquanto formava as primeiras letras.

Ali, entre risos infantis e olhos curiosos, estava ela, a professorinha. Tão miúda quanto seus alunos, mas gigante em paciência e ternura. Era ela quem segurava nossa mão com suavidade, guiando-nos pelo caminho do bê-a-bá.

A sala de aula era simples, quase ingênua, mas nela acontecia um mundo inteiro. De quadros negros riscados com giz branco, surgiam letras que, para nós, pareciam mistérios insondáveis. Mas a professorinha, com sua voz tranquila, tinha o dom de transformar cada palavra em uma descoberta. Quando alguém tropeçava no “f”, ela sorria e repetia, sem pressa, até que o som se encaixasse no lugar certo. Era como se soubesse que ensinar não é só despejar conhecimento, mas semear carinho em cada nova aprendizagem.

Havia algo de mágico naquele tempo. Talvez fosse o jeito como ela dobrava a esquina da rua todas as manhãs, com o vestido simples e o livro apertado ao peito. Ou quem sabe fosse o brilho nos olhos dela, que enxergavam em nós, os pequeninos, futuros grandes, mesmo quando só conseguíamos soletrar “mamãe”. Ela acreditava em nós, antes mesmo que acreditássemos.

Cada letra ensinada, cada palavra soletrada, era um pedaço de futuro que se construía. Naquele tempo, não entendíamos que a professorinha era mais do que uma ensinadora de letras. Ela era uma artesã de sonhos, moldando-nos, dia a dia, naquilo que seríamos.

Hoje, no Dia dos Professores, a lembrança dela volta como um perfume distante, doce e saudoso. O bê-a-bá que ela nos ensinou foi a base de tudo, mas o que ficou mesmo foi o amor pelo saber, a vontade de seguir descobrindo, de ir além. Porque a grande lição que ela nos deixou é que o aprendizado nunca termina. Ela sabia que a gente cresceria, mas que levaríamos para sempre aquele pedacinho de infância onde o mundo se resumia ao quadro negro e ao sorriso dela.

A professorinha, com sua sabedoria silenciosa e seu coração tão grande quanto o universo das palavras, não nos ensinou apenas a ler e a escrever. Ela nos ensinou a sonhar. E por isso, mesmo que o tempo passe, e as palavras mudem, ela continuará viva em cada canto da nossa memória.

Saudade da professorinha que nos deu o bê-a-bá e, junto dele, um mundo inteiro.

Núcleo de Produção da Repapi para o Portal Idosonews.com

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