Uma sociedade que não valoriza os idosos.

Uma sociedade que não valoriza os idosos.

CAPÍTULO 3 – Livro Envelhecimento. Cuidado Familiar (Rev. Pinho Borges). O capitulo 1, foi publicado neste site no dia 09 de julho de 2020 com o titulo: Envelhecimento no Brasil.  O capitulo 2, foi publicado neste site no dia 19 de julho de 2020 com o titulo respeite meus cabelos brancos.

CAPÍTULO 3 – UMA SOCIEDADE QUE NÃO VALORIZA OS IDOSOS – Como agir diante da sociedade que não valoriza os idosos? A longevidade faz parte da vida dos seres naturais, é o ciclo natural da vida.

Segundo o IBGE a faixa etária dos idosos deverá ultrapassar o índice etário de crianças e jovens nos próximos anos.

Essa mudança na pirâmide etária no Brasil deve-se ao fato de redução da natalidade, e o avanço da expectativa de vida. Mesmo ciente de tal previsão, a sociedade brasileira, isto é, a família, a sociedade e o governo não aprendeu a valorizar os idosos.

Esta falta de aprendizado provoca comportamentos preconceituoso contra os idosos que continuam sendo tratado como peso social. É comum encontrar pré-idosos que “lutam e defendem” a bandeira dos direitos da pessoa idosa ignorarem e desrespeitarem estes direitos que dizem tanto defender.

Isto, é perceptível, quando um idoso ou idosa entram num transporte coletivo aqueles que estão sentados nos lugares reservados fingem dormirem ou ficam olhando em outra direção e há aqueles que argumentam que os idosos deviam ficar em casa.

Esse tipo de comportamento revela a hipocrisia social; defendem uma causa, mas não se esforça para mudar o próprio comportamento. É a filosofia do adágio “faça o que mando, mas não faça o que faço”, isto é, a lei é para os outros, e não para mim.

Haverá mudança de comportamento com relação a pessoa idosa quando houver mudança de consciência, atitudes e atos.

O Brasil só avançará no quesito de envelhecimento quando houver uma consciência de respeito e importância a longevidade.

 Ajudar uma pessoa idosa não é só atravessar o “Mar Vermelho” com ela, mas atravessar os diversos ‘Jordão’ que interrompem a caminhada. O Brasil terá 50 milhões de idosos nos próximos 20 anos, um considerável aumento no contingente desta faixa etária e um fato chama a atenção é que mesmo o envelhecimento populacional já seja uma realidade não está eliminando a falta de respeito para com a pessoa idosa até mesmo porque muitos dos próprios idosos não respeitam a si mesmo.

Como agir diante de uma situação como esta? O Estatuto do Idoso é um instrumento legal de defesa dos direitos da pessoa idosa, ainda não saiu do papel, o que permite a exclusão social da pessoa idosa, isto é, deixa o segmento na invisibilidade.

Tomamos como exemplo o setor do trabalho. O ideal era que após aposentada a pessoa idosa não precisasse voltar ao mercado de trabalho, mas no Brasil isso não acontece.

O que se observa é que os idosos procuram realizar algum tipo de trabalho para complementar a sua renda e melhorar a qualidade de vida. Essa necessidade tem sido a oportunidade para que algumas
empresas explorem a pessoa idosa do ponto de vista trabalhista.

Há empresários que empregam uma pessoa idosa, com baixa remuneração, para a função de ‘office sênior’, não pelo fato da mesma ser experiente ou pela política de inclusão, mas para levar vantagem sobre os direitos da pessoa Idosa estabelecidos no Estatuto do Idoso, como por exemplo a prioridade da fila e a gratuidade nos transportes coletivos.

Debaixo da nuvem da impunidade alguns empresários estão contribuindo
para eliminar alguns direitos do idoso, como o atendimento imediato nos serviços públicos e privados assim como a gratuidade no transporte coletivos. Infelizmente, há empresários que agem na ilegalidade e desrespeita não só o Estatuto do Idoso, mas as normas trabalhistas.

Do outro lado estão Idosos que tem necessidades pessoais, e em troca de
algum auxílio financeiro se submetem
ser ‘office sênior’, sem nenhum vínculo trabalhista. A empresa quando age dessa maneira está cometendo uma prática
ilícita, pois nela não há relação trabalhista, mas apenas a exploração do outro o que deve ser denunciado junto Ministério do Trabalho. 

Esse tipo de comportamento de alguns empresários pode parecer algo benéfico e inclusivo, mas na realidade é nocivo, pois transfere o direito do idoso para a empresa, e o pior com a chancela do próprio idoso. Esta prática deve ser combatida pela família, pois substitui o ‘office boy’, com direitos trabalhistas, por uma pessoa idosa que vai fazer o mesmo serviço recebendo a gratificação financeira aquém da realidade de mercado.

Embora seja responsabilidade do Poder Público criar políticas para melhorar
a qualidade de vida da pessoa idosa,
isso não isenta a igreja de desenvolver
políticas eclesiásticas que possibilite a pessoa idosa a chance de se sentir útil à sociedade e cujo resultado será o bem-
estar no envelhecimento.

 É lógico que nós estamos vivendo em uma sociedade onde o capital traça a rota econômica em busca de lucro e vantagem em detrimento das questões humanitárias, que ficam relegadas a segundo plano,
e quase nada é feito para melhorar a
qualidade de vida da pessoa idosa; quando isso ocorre o objetivo é lucrar em cima do processo de envelhecimento.

 A pessoa idosa deve lutar para que haja mudança na consciência social do Poder Público, da Sociedade, da Família. Mas, para que isso ocorra, há necessidade de uma mobilização capaz de alterar planos, políticas, hábitos, costumes capazes de alterar a qualidade de vida.

 O Brasil não se preparou para o envelhecimento e apostou que a Previdência Social, seria suficiente para garantir aos aposentados o suprimento de suas necessidades. A previsão da política governamental falhou e, a Previdência Social agoniza. Resultado: Quem vai pagar a conta é o próprio idoso.

O Brasil com um quantitativo de aproximadamente de 50 milhões de idosos nos próximos anos não tem nenhuma ideia do que está reservado para a população idosa brasileira no amanhã.  Temos uma previdência pública quebrada, uma previdência privada exploradora, um sistema de saúde em decadência, e um crescente abandono familiar.

 O bem-estar é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal
Brasileira, que rejeita qualquer forma de exclusão social. É obrigação da família valorizar e cuidar de seus idosos até porque é uma recomendação bíblica.

 O cuidado com a pessoa idosa vai fazer com que a família e a sociedade passem a ser mais humanizada, carinhosa e respeitosa com o envelhecer. É dever familiar amar os seus membros seus idosos, pois eles são importantes na transformação da mesma; quando a família não ama seus idosos descumpre os princípios bíblicos, sociais e humanitários. Dar carinho a pessoa idosa é produzir na mesma qualidade de vida que é algo fundamental para o ser humano.

Relembrando. O Brasil em 10 anos atingiu um nível de envelhecimento igual à que a França levou 100 anos, e nestes próximos 20 anos, vamos pular do índice de 20 milhões para a cifra de 50 milhões, por volta do ano 2050.

As estatísticas informam que nos próximos oito anos a população idosa brasileira, passará dos atuais 11% para 14%. Em 2040, os maiores de 60 anos representarão mais de 27% da população brasileira.

Este índice revela que os brasileiros desta faixa etária, que hoje soma cerca de 21 milhões de idosos, vai alcançar em 2020 a marca de 30 milhões de idosos. Nesta projeção o Brasil ultrapassará a marca dos 55 milhões de idosos daqui a três décadas, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada/IPEA.

O grande questionamento hoje é se
o Brasil está preparado para lidar com o envelhecimento populacional. Infelizmente não. A sociedade brasileira não estar preparada para enfrentar esta realidade que se aproxima tão rapidamente.

Faltam políticas públicas e a que existe caminha de forma lenta. Há necessidade de tirar a Lei do papel, isto é, aplicar o Estatuto do Idoso, no dia a dia.

 Mesmo ciente do problema, os poderes públicos brasileiros, nas três esferas, não se mobilizam para corrigir essa falha, por isso, não consegue garantir os direitos básicos da pessoa, a partir dos 60 anos.

O certo é que não houve preparação pública, social e familiar com o objetivo de trabalhar o envelhecer com consciência e cidadania. O país não se preparou para o momento do envelhecimento optando por investir nos jovens.

Na vida é comum as pessoas se prepararem para determinados momentos da sua existência, como por exemplo: casar, viajar, fazer um concurso público, alguns se preparam até para morrer, adquirindo em vida planos mortuários que facilitem a situação da família no dia que a morte chegar.

No geral a família se prepara para o nascimento. Faz planos que vai do enxoval à mobília do quarto, mas para com o envelhecimento isto não acontece e quando o envelhecimento é percebido por conta das dificuldades que vão alterando a o dia a dia da família é que a ficha cai.

Diante desta realidade, várias são as questões para se fazer uma reflexão sócio-religiosa-familiar.

O que fazer com a pessoa que está envelhecendo e já está aposentada, mas o salário da aposentadoria não é compatível ao modo de vida mais simples?

É justo que a falta de recurso econômico no final do mês leve muitos idosos a fazer ‘bico’ para suplementar sua renda mensal?

Estes e outros questionamentos fazem e farão parte do dia a dia familiar. Eles têm origem na má gestão da Previdência Social que não cuidou de forma exitosa dos recursos obrigatórios do trabalhador e que leva o mesmo a buscar a informalidade em busca de complemento salarial, o que não é fácil. Se tentar voltar a formalidade vai contribuir para a Previdência Social sem nenhum retorno futuro, além de enfrentar o preconceito da idade existente no mercado de trabalho.

É muito difícil a pessoa ser incluída no mercado de trabalho a partir dos 60 anos. Por exemplo, hoje, a classe política no Brasil, capitaneada pelo presidente
Jair Bolsonaro está discutindo o processo de reforma previdenciária em que o
governo entende que o trabalhador com 60 anos é jovem e pode contribuir com
anos para a Previdência Social para depois se aposentar. Se o plano de Governo for aprovado pelo Congresso Nacional, com certeza os idosos terão que trabalhar mais para adquirir o direito de se aposentar e não será antes dos 65 anos, segundo o IBGE. Por outro lado, o IPEA mostra que aumentou o número de pessoas idosas que ultrapassaram o período de direito a aposentadoria, mas que continuam trabalhando.

Neste contexto as pesquisas mostram que os homens trabalham por mais de 3 anos e as mulheres mais de 4 anos após o limite da aposentadoria. 

O IBGE divulgou que os idosos que são responsáveis pelos domicílios no Brasil já superam o índice de 20%, isso significa que muitos trabalham formal ou informal para o sustento da família. Não há dúvida que quando a família espera da pessoa idosa o provimento financeiro e a leva a ter uma relação de trabalho clandestino ela alimenta o processo de violência contra seu idoso (a).

A família, com raras exceções, não se une a sociedade e ao Poder Público para lutar por políticas públicas relacionadas ao envelhecimento, mas adoram receber os privilégios adquiridos; “Isto é uma vergonha”, como diz o ancora e jornalista Boris Casoy.

Não havendo pressão social as ações relacionadas a pessoa idosa acontecem a passo de tartaruga. A lentidão é tão grande que a Lei nº 8.842, que criou o Conselho Nacional do Idoso/CNDI, é de 4 de janeiro de 1994, quando o Governo Federal instituiu a Política Nacional do Idoso/PNI. O Estatuto do Idoso que é o principal instrumento de defesa da pessoa idosa só foi aprovado pelo Congresso Nacional em 2003, após sete anos de tramitação, e ainda hoje, mais de 15 anos em vigor a pessoa idosa continua sendo violentada e desrespeitada de forma física, econômica e psicológica.

 Falando sobre violência é importante frisar que não há dados precisos com relação ao índice de violência familiar contra a pessoa idosa, porque grande parte desta violência não é denunciada, pois a pessoa idosa tem medo de sofrer represália social e familiar após a denúncia.

Por mais que se criem instrumentos para facilitar as denúncias, os idosos não se sentem seguros com relação a denunciar a própria família, pois muitos residem no mesmo espaço do agressor.

O cuidado familiar é uma forma de combate a violência contra a pessoa idosa, mas não é só isso é preciso que o Poder Público enfrente a violência estabelecendo ações que coíbam e evitem qualquer tipo de violência.

É bom lembrar que a responsabilidade do cuidado, do carinho e do amor para com a pessoa idosa é da família, pois é assim que orienta a Palavra de Deus. Quando há falha familiar e/ou social é importante que as pessoas procurem ajuda junto aos poderes públicos a fim de evitar que abusos sejam praticados. A busca de ajuda certamente possibilitará proteção e melhoria de qualidade de vida para aqueles que ultrapassaram os 60 anos de idade.

 A Família, a Sociedade, a Igreja, o Poder Público deve formar um bloco para promover ações que provoquem na população mudanças de consciência quanto a longevidade quando isto acontecer certamente que a pessoa idosa não será mais tratada violentada nem tratada como “coisa” e deixará de ser algo descartável.

A valorização social da pessoa idosa passa pela valorização da longevidade, mas para que isso aconteça é preciso planejamento nas áreas da previdência, saúde, bem-estar, cidadania, lazer que são direitos fundamentais garantidos.

Desde que o Estatuto do Idoso entrou em vigor quase nada foi feito para o segmento apesar do crescimento numérico dos idosos. Não se pode negar que esse crescimento provocou o surgimento de algumas iniciativas no campo do lazer, da assistência médica e educação.

A educação é o seguimento que tem mais atuado na área da pessoa idosa a partir do surgimento das Universidades Abertas da Terceira Idade/UNATI, um exemplo que foi importado da França, e que chegou ao Brasil, por volta dos anos de 1980.

Hoje, no Brasil, há aproximadamente 150 UNATIs que oferecem cursos na área de educação, arte, saúde, esporte, línguas estrangeiras, esporte, entre outros.

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