Livro: Envelhecimento. Cuidado familiar.

Livro: Envelhecimento. Cuidado familiar.

Capítulo 2 – “RESPEITE MEUS CABELOS BRANCOS!”

NOTA – Livro Envelhecimento. Cuidado Familiar (Rev. Pinho Borges).
O capitulo 1, foi publicado neste site no dia 09 de julho de 2020 com o
titulo: Envelhecimento no Brasil.

A Bíblia cita que os cabelos brancos devem ser considerados a beleza dos idosos e uma coroa de honra.  No livro de Provérbios 16,31 lemos: “o cabelo grisalho é uma coroa de esplendor, e se obtém mediante uma vida justa” e em 20,29 diz que a “beleza dos jovens está na sua força; a glória dos idosos, nos seus cabelos brancos”.

A recomendação bíblica é que todos respeitem e honrem as pessoas idosas como mostra o texto de Levítico 19,32. “Levantem-se na presença dos idosos, honrem os anciãos, tema o seu Deus. Eu sou o Senhor”,

O apóstolo Paulo, ao escrever a Timóteo diz. “que os mais novos não devem repreender os idosos, devendo apenas exortá-lo”[1].

No Oriente, a longevidade é bastante reverenciada, quanto mais a pessoa for idosa, mais respeitada ela é, pois é considerada pela sabedoria e experiência acumuladas durante os anos. No Ocidente para muitos cabelos brancos é doença por isso valoriza-se mais a juventude e gasta-se milhões de dólares com tinturas para esconder os brancos fios de cabelos por ano.

Apesar dos mesmos não ter a mesma importância dos olhos, do coração ou
fígado, eles exercem uma extremada fixação nos humanos por conta do poder de revelar parte da personalidade. Por exemplo. Representa para os homens força física, virilidade e juventude; para as mulheres significa sensualidade, beleza, e atração física.

Nas mitologias grega e hindu, os cabelos grandes e despenteados era propriedade das divindades más. Na Idade Antiga, cabelo longo e solto era símbolo da nobreza e liberdade entre os homens. Na Idade Média, as mulheres tinham cabelos grandes numa demonstração de castidade.

A peruca de cachos brancos, típica da nobreza europeia, simbolizava inteligência e poder; hoje, sobrevive como parte da indumentária oficial dos juízes tribunais ingleses. No imaginário humano o cabelo na cabeça, especialmente a barba, é sinal de poder espiritual, basta dar uma olhada nos religiosos de hoje; neste imaginário a cor dos cabelos também tem o seu valor. Por exemplo, o cabelo branco representa a eternidade, a Longevidade.

Uma pergunta. Como está a prática, a convivência, e a responsabilidade da sua família com relação aos seus idosos? Para responder esta questão e preciso responder: (a) Como a família ver o idoso?  (b) Como o idoso ver a família?

Quanto ao primeiro questionamento é comum hoje a família se organizar de forma dinâmica não compreendendo o processo de envelhecimento; quanto ao segundo questionamento está relacionado a expectativa da pessoa idosa em relação a visão da família quanto as suas necessidades.

A pessoa idosa espera da família, em particular amparo, dignidade e bem-estar, por isso que a família deve entender que a pessoa idosa está em constante processo de transformações, fragilidades, e que precisa de ajuda para manter o seu espaço no grupo familiar. Uma das grandes dificuldades da família no cuidar da pessoa idosa encontra-se no momento da inversão da relação pelos filhos que foram cuidados durante anos e agora passa para a posição de cuidador o que requer dos mesmos maiores e novas responsabilidades.

Como não há uma preparação na família para o envelhecimento, quando ele chega surgem dificuldades para aceita-lo e administrá-lo. Embora muitos idosos façam esforços para não serem dependentes, mas vai chegar o momento que não haverá outra saída e vai ter que precisar dos outros; é esse sentimento de dependência que mais preocupa e aflige a pessoa idosa.

No processo de envelhecimento a pessoa espera receber atenção e cuidado dos filhos, netos e familiares. Quando isso não acontece e o que ocorre é o desprezo, ou o abandono e os estragos são terríveis para a pessoa idosa porque provocam sequelas familiar inomináveis.

A crise econômica dos últimos anos e a falta de políticas públicas para o envelhecimento estão fazendo com que os idosos percam rendas e fiquem cada vez mais empobrecidos. A aposentadoria não é mais suficiente para o próprio sustento e muito menos para sustentar a família.

E a situação piora mais quando os filhos casados se separam e voltam para a casa em busca de apoio provocando ainda mais o desequilíbrio financeiro o que deixa o bem-estar da pessoa idosa ainda mais fragilizado.

Com a família se distanciando do modelo tradicional, a pessoa idosa não ocupa mais lugar de destaque. Esse distanciamento criou vários hiatos na família que precisa de forma urgente se adaptar as transformações sociais a fim de enfrentar o processo de longevidade de forma condizente a expectativa do idoso.

É na fase idosa que a pessoa necessita de amor, carinho, valorização, e tranquilidade no contar os dias.


[1] 1º Timóteo 5,1.

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