Isolamento, coronavírus, idoso, samba e doideira.

Carrousel, Idoso em Foco, Reflexão

Desde que começou o Isolamento Social nós idosos estamos enfrentando uma série de Preconceitos e Bullying só porque somos idosos. Às vezes me pergunto se a sociedade realmente está cuidando dos idosos ou está estabelecendo preconceitos ou maus tratos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde/OMS, há uma pandemia na terra, provocada por um vírus denominado de “corona”, que tá levando a humanidade a uma pandemia paranoica.
Estamos em clima do samba do Criolo Doido.
Há algum tempo, quando uma pessoa espirra em público, gritava-se “saúde”, agora dizem “corre que é o covid-19”.
Em Salvador/BA, uma senhora foi enxotada de forma violenta, de um ônibus porque estava tossindo.
A justiça apoia o confinamento da população, mas manda soltar os presos.
Os prefeitos querem evitar a aglomeração, reduzindo o transporte publico e empurrando as pessoas para ônibus lotados.
Gestores usam o dinheiro publico para enfeitar plataformas políticas, e o pior usam os idosos como moeda de troca.
Eu nem danço samba e ainda não estou doido, gagá, esclerosado, e muito menos senil.

Já está mais do que comprovado que as pessoas com mais de 60 anos e com doenças crômicas, estão no grupo de risco e terão complicações mortais se forem infectadas, pelo vírus letal. Assim como sabemos que a longevidade, por mais vigorosa que seja, compromete o físico e fragiliza o sistema imunológico de forma gradual; é essa perda da imunidade que coloca a pessoa idosa no grupo de risco, dizem os especialistas. E eu acredito.

Por outro lado, há pessoas que dizem: que só morre no dia; que seja feita a vontade de Deus; que os dias estão determinados etc. E eu acredito. Mas, não sou ousado demais para desrespeitar as autoridades sanitárias e/ou desafiar a Deus. Informo que tenho fé e creio que Deus está no controle.

Estou há 60 dias em total isolamento social fisicamente; não saio nem na calçada de casa e nem para cortar o cabelo, mas os vizinhos que têm cachorros podem levá-los ao pet shop. Já pensei até comprar um para juntos cortarmos o cabelo sem esquecer o Waldick Soriano.

Desde que começou o Isolamento Social nós idosos estamos percebendo o aumento dos preconceitos e bulingues para com as pessoas idosas. Isto revela que a sociedade não está cuidando dos idosos, mas estabelece de forma sútil maus tratos. Aproveito para sugerir a leitura do meu artigo ‘A Crônica do Cata Velho”, publicado no site ‘idosonews.com’.

É fato que muitas famílias estão tendo dificuldades para manter a pessoa idosa em casa, mas usar a “psicologia do medo” para com as pessoas idosas não é correto. A rotina do isolamento social para os pré idoso não é fácil, imagine para os idosos; a quarentena deixou de ser quarentena há muitos dias e se projeta no túnel do ‘sine die’, sem luz no fim s ser vista.

Em particular as famílias devem cuidar do bem estar dos seus idosos. É comum os familiares de uma pessoa idosas acharem que ela é completa; que não há carências. Há carência, sim. Mas não são expressas publicamente por vergonha ou para não causar preocupações.

Nesse momento de isolamento social é importante que as famílias mantenham diálogo sincero com seus idosos evitando prejuízo psicológico, emocional entre outros. Não há razão para amedrontar, ameaça de punição, ou abandonar as pessoas idosas, pois vai trazer consequências negativas, e pode até levar ao suicídio.

Alguns cuidados que a família deve ter com os seus idosos.

ISOLAMENTO SOCIAL. Quanto ao isolamento social, trate-o como uma oportunidade para a vida e não como um afastamento familiar. O perigo do isolamento social é quando ele começa a mostrar sinais de abandono de vulneráveis com o passar dos dias.
O idoso também tem que ter a consciência que o não estar presente fisicamente não se caracteriza em abandono pelos parentes e amigos.
Nessa pandemia os filhos e netos devem manter contatos permanente com os pais e avós, o que é facilitado hoje pelas novas tecnologias do telefone e aplicativos de comunicações, inclusive com imagens.
Conscientizar sem pressionar é dever das famílias. As pessoas idosas devem compreender que o distanciamento é por um tempo e justifica-se pela necessidade de proteção contra o Covid-19.

Só lembrando: que a casa dos pais e avós não se tornaram uma Instituição de Longa Permanência para Idosos/ILPIS, durante o isolamento social.

ATIVIDADES IMPRODUTIVAS.  O que fazer com tanto tempo ocioso? O que fazer com uma rotina totalmente estranha aos idosos? Eis a questão.
A palavra do momento é: se reinventar. Mas como?
Um dos preconceitos contra a pessoa idosa é achar que ela é improdutiva por conta da idade, doença ou aposentadoria. Engano.
Não tente ocupar o tempo da pessoa idosa com atividades improdutivas, porque no dia a dia sempre foi produtiva e sabe fazer a diferença entre improdutividade e produção. Os especialistas dizem que atividades inúteis no confinamento podem aumentar ansiedade na pessoa idosa.
Motive o idoso a fazer algo útil como ajudar nas tarefas domésticas ao seu nível de suas possibilidades, estimule participar de jogos lúdicos que estimulam a mente, a cuidar do jardim, entre outras.
Aconselhe a evitar assistir programa jornalísticos onde a prioridade são as mortes; nesse momento a melhor alternativa é aprender, e auto se descobrir.

NÃO CRIE MEDO. O pode se transformar em bullying. O excesso de informações ruins com a finalidade de fazer medo as pessoas principalmente nos idosos pode se caracterizar como bullying. A família deve falar sobre as medidas e os cuidados necessários a fim de evitar a contaminação de forma branda e não amedrontadora com faz a impressa
Não se trata de esconder o problema, mas de conscientização pedagógica.
Mostrar a necessidade do isolamento como forma de preservar a vida, pois em casa o risco de contrair a doença é mínimo.
Mostrar covas abertas, caixões no cemitério, pessoas quase sendo enterradas vivas com o objetivo de convencer o idoso a ficar em casa, não é legal e só gera medo. Converse sobre coisas boas e evite o bullying.

NO ESCONDA O PROBLEMA. Nunca recebi tantas notícias de mortes de pessoas próximas e familiares em sessenta dias de confinamentos. A situação é muito grave e a pessoa idosa não pode ficar alheia a realidade. Informe sobre a gravidade do momento fazendo-o compreender que o isolamento social diminui o risco de morte é mais produtivo que usar o bullyng do medo.
Nem ‘papa figo’, nem ‘cata velho’.
Os idosos não são crianças e não querem serem tratados como tais.
Idosos são pessoas maduras que já enfrentaram muitas adversidades ao longo da vida; não são tão frágeis como se pensam.

CAPACIDADE. Lembre-se o idoso é capaz.  A longevidade por longevidade não nos torna incapazes. Somos pessoas como qualquer outra, com condições de decidir, há não ser que haja tutela.
Colocar em nós idosos o carimbo de teimosos é preconceituoso, pois encontramos crianças e jovens muito mais teimosos e ranzinzas.
Trate o isolamento social em família mostrando da necessidade do mesmo para a proteção da saúde de todos e que a pessoa idosa deve contribuir para o benefício da família, colocando-o também como responsável pelo bem estar do lar.

VERDADE. Os gestores políticos e sanitários estão dizendo que vão fazer isso, fazer aquilo, prender, multar etc. Isso pode ser até legal, mas vão produzir uma safra de efeitos psicológicos negativos principalmente nos idosos.
Mas, há muitas mentiras nas mídias sobre o não confinamento, procurem as notícias verdadeiras para informar aos idosos; não perca a confiança deles senão ficará mais difícil de convencê-los a ficar em casa.

Hoje, há um verdadeiro bombardeio de notícias quanto a pandemia que foi politizada e judicializada, em nosso país o que criou uma sensação de anomia maior que o samba do Criolo Doido do Stanislaw Ponte Preta, cantado pelo Conjunto Demônios da Garoa.
Conscientizar sim. Bullying não.
Rev. Pinho Borges.


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