Finados à luz do amor e da Ressurreição.

Carrousel, Reflexão

Finados: Dia de saudades e afetuosas lembranças, quando delicados sentimentos brotam do amor que dá sentido pleno à vida humana e cristã. O “amor jamais passará”, afirma o apóstolo Paulo (1 Co 13, 8).

A fé e a esperança, assim como todas as virtudes e carismas deixarão de existir. O amor, porém, vence as barreiras do tempo e se prolonga na eternidade.

O amor é reciprocidade. Com nosso limitado amor continuamos amando nossos falecidos e não há nenhum mal em se lembrar deles. Na África grupos étnicos protestantes acreditam que os mortos se tornam anjos protetores.

No Credo Apostólico se crer que Jesus “há de vir para julgar os vivos e os mortos” porque na Glória Cristo une os mortos e os vivos no seu mistério de amor. É confortador pensar que os vivos e os mortos estão envoltos no mistério do amor de Cristo. No Símbolo Apostólico, professamos nossa fé num misterioso intercâmbio de bens espirituais ao dizermos: “Creio na comunhão dos santos”. Santos somos nós, na expressão de Paulo; santos são os que estão junto do Pai. Para a fé cristã exclui-se nesse intercâmbio qualquer tipo de comunicação sensorial ou extra-sensorial com os mortos.

Nessa perspectiva da fé cristã exclamamos: “Os olhos jamais contemplaram, ninguém sabe explicar, o que Deus tem preparado àquele que em vida o amar!”

O Dia de Finados reveste-se de conforto sobretudo à luz do Mistério da Ressurreição que Paulo explicita com forte convicção e muita vivacidade. Após ter falado da ressurreição do Cristo segundo as Escrituras, afirma: “Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem“.(1Cor 15, 12-20)

A ressurreição do Cristo se situa nas Escrituras como fundamento e garantia da ressurreição dos mortos e, portanto, da imortalidade do corpo humano. A Ressurreição de Cristo é realidade central do Cristianismo, sem a qual tudo desmorona.

Numa linguagem poética, Cristo como Paulo se servem da imagem da semente para falar da ressurreição. “Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer produzirá fruto” (Jo 12, 24). “O que semeias não é o corpo da futura planta que deve nascer, mas um simples grão de trigo ou de qualquer outra espécie (1Co 15, 37). Se você procurar na terra os grãos de trigo ali lançados, não mais os encontrará, mas apenas verá o lindo trigal dourado.

Na ressurreição, o Senhor do tempo e da vida transformará o homem corporal, material e corruptível numa criatura imortal e incorruptível conforme nos ensina Paulo (1 Co 15, 35-33) pois: “Desfeito nosso corpo mortal, nos é dado no Céu um corpo incorruptível”. O mistério da ressurreição dignifica ao máximo o corpo humano, sem romper a individualidade, a unidade e a integridade da pessoa. Antônia morreu; Antônia ressuscitará!

A fé no Ressuscitado nos garante que, com a morte, inicia-se para sempre a vida em plenitude. A morte de alguém amado abre em nosso peito chagas que latejam; que sangram, e que em vários casos, continuam a pulsar por muito tempo. Elas necessitam de um cuidador que deite sobre elas o óleo balsâmico e lhes proporcione refrigério. Esta ação está a cargo do nosso Deus, através de seu Santo Espírito (o Consolador), atuando prontamente nesse cuidado.

No dia de Finados, num ato de fé os cristãos proclamam: “Cremos na ressurreição dos mortos e na Vida Eterna. Amém”.

Deixe uma resposta