Crônica: Idosos Também Namoram

Sentado no banco do parque, sob a sombra de uma árvore centenária, observei um casal de idosos caminhando de mãos dadas. Eram Maria e José, moradores antigos do

Idosos Também Namoram

Sentado no banco do parque, sob a sombra de uma árvore centenária, observei um casal de idosos caminhando de mãos dadas. Eram Maria e José, moradores antigos do bairro, conhecidos por todos pela simpatia e pelos sorrisos sempre presentes. A cada passo, pareciam dançar uma coreografia silenciosa, perfeitamente sincronizada com o tempo e a vida.

A manhã estava especialmente bonita. O sol, ainda tímido, lançava raios dourados sobre a grama úmida, enquanto o canto dos pássaros dava o tom da trilha sonora perfeita. Maria e José seguiam seu passeio habitual, mas havia algo diferente naquele dia. Talvez fosse o brilho nos olhos deles, um brilho que revelava um segredo guardado com ternura.

Sentaram-se no mesmo banco onde eu estava, cansados mas satisfeitos. José, com um gesto delicado, tirou do bolso uma pequena caixa de veludo. Maria sorriu, antecipando a surpresa. Ele abriu a caixa e, com mãos trêmulas, revelou um par de alianças. “Maria, faz 50 anos que estamos juntos. Hoje, quero renovar nossos votos. Você aceita continuar namorando comigo?” Os olhos de Maria encheram-se de lágrimas, e ela, emocionada, respondeu com um beijo suave.

Ao redor, as pessoas passavam apressadas, talvez sem notar a cena. Mas, para mim, aquele momento era um retrato do amor em sua forma mais pura. Um amor que resiste ao tempo, que se fortalece nas adversidades e que encontra na simplicidade da vida seu maior valor.

Lembrei-me de minhas próprias avós, que sempre diziam que o amor não tem idade. “Namorar é coisa de jovens”, diziam alguns, mas elas provavam o contrário. Aos 80, ainda trocavam cartas, preparavam surpresas e caminhavam juntos ao entardecer. E, assim como Maria e José, ensinavam que o romance não termina com o passar dos anos; ele apenas se transforma, ganhando novos significados e profundidade.

Naquele parque, cercado pelo cotidiano, testemunhei uma celebração silenciosa do amor maduro. Um amor que compreende os silêncios, que perdoa os erros, que celebra as pequenas conquistas e que, acima de tudo, se renova a cada dia.

Enquanto Maria e José continuavam a conversar, as mãos ainda entrelaçadas, pensei na importância de reconhecer que o amor não tem prazo de validade. Ele floresce na juventude, sim, mas também na velhice, quando as rugas contam histórias e os cabelos brancos revelam a sabedoria dos anos vividos.

Levantando-me para continuar meu caminho, deixei o parque com o coração aquecido. Maria e José me lembraram que o amor é eterno, e que ele pode durar para sempre, se assim estivermos nEle. E que, em cada fase da vida, podemos encontrar uma nova forma de amar, de namorar e de celebrar essa fouça que nos faz humanos.

E, assim, em meio ao cotidiano, fica a lição de que o amor verdadeiro não tem idade. Ele é feito de momentos, de olhares, de toques e de promessas renovadas. Porque, no fundo, todos nós, independente da idade, merecemos amar e ser amados. E isso é, talvez, a coisa mais bonita que podemos levar dessa vida.

Matéria produzida pelo Núcleo de Produção da Repápi, para o Portal idosonius.com/Locução. Assistente artificial Fábio Virtual. 

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