Considerações finais

Os idosos e pré-idosos devem prosseguir acreditando na capacidade que Deus lhe deu e assim terá facilidade de vivenciar os dias hoje com desafios. Deus sabe que você tem capacidade para viver dentro desses princípios. É gratificante verificar que os idosos estão buscando conquistar seu espaço na sociedade que ao longo dos anos ajudou a construir. Ao se preocupar o Estado não está fazendo nenhum favor a pessoa idosa, pois a mesma já ajudou e continua ajudando a construir a nação com sua participação social e experiência, mostrando que a ociosidade não faz parte do seu contexto de vida, embora algumas pessoas ainda não tenham se libertado dos preconceitos que permeiam o universo das pessoas idosas.

É certo que a pessoa idosa por conta da idade física passa a ter dificuldade de mobilidade, mas isso não a impede de exercer soberanamente os seus direitos de cidadania que em muitos casos é negado pela própria família, mesmo sendo a pessoa idosa um agente de sustentação econômica da mesma. A pessoa idosa é a maior vítima da impaciência e intolerância dos mais jovens nas ruas, nas filas, nos transportes onde muitos são tratados como “objetos em desuso” deixando de lado as qualidades e experiências adquiridas ao longo dos anos.

A Bíblia mostra de forma clara como Deus vê a pessoa idosa e ensina como ajudá-la, respeitá-la e principalmente aprender com as experiências que a mesma possui. No Salmo 92, versículos 14 e 15, o salmista afirma que os idosos são como as palmeiras, que no futuro ainda darão frutos viçosos. Mesmo vivendo em um mundo que tanto os discrimina, os idosos estão lutando e elegendo representantes que os ajudarão a mudar o quadro das políticas públicas quanto ao segmento do idoso.

A aprovação do Estatuto do Idoso, que passou a vigorar em janeiro de 2004, é um grande avanço, pois tem como objetivo coibir a falta de respeito que a sociedade impunha aos mais velhos. No âmbito religioso, a Igreja Católica é a pioneira com as Instituições de Longa Permanência, antigos abrigos para idosos, mas recentemente a temática começa a preocupar as igrejas evangélicas, porque as mesmas estão se tornando instituições idosas por conta do envelhecimento dos seus membros. Muitos são os casos em que a pessoa idosa busca espaço nas instituições de longa permanência para fugir da solidão familiar e assim suprir a carência afetiva.

Essa fuga do isolamento é positiva, pois melhora a qualidade de vida das mesmas fazendo-as vencer a solidão causadora da ociosidade. Vale salientar que as instituições religiosas vêm desenvolvendo excelente papel, pois além de diminuir a ociosidade contribui na reintegração da pessoa idosa na sociedade.

Algumas comunidades evangélicas já estão desenvolvendo um ministério voltado para as pessoas idosas, inclusive disponibilizando espaço físico, tempo e investimento visando criar um ambiente de convívio, cujo objetivo maior é a socialização através da interatividade da pessoa idosa. As experiências mostram que quando uma pessoa idosa começa a frequentar um grupo de convivência, que oportuniza o “bate-papo”, chá de confraternização, lazer, viagens e brincadeiras ela se sente engajada, útil e valorizada.

A Igreja não pode estar fora desse processo de socialização, pois se assim fizer certamente não estará cumprindo sua missão, que se fundamenta na pregação do Evangelho que é a justiça de Deus. Não é porque combatemos um bom combate que ficamos enfadados e cansados.

A liderança eclesiástica não deve “sentar a beira do caminho com a boca escancarada esperando a morte chegar”; há diversas atividades voltadas para o segmento do idoso e as comunidades religiosas podem fazer parcerias com ONGs do setor e assim proporcionar prática interativa como: visita a Instituição de Longa Permanência, cursos de informática, artesanato, crochê, música, alfabetização, etc.

O envelhecimento da membresia é um desafio que as comunidades eclesiásticas devem procurar se adequar diante da evolução do envelhecimento que atinge toda humanidade neste milênio. Enganam-se aqueles que excluem a ação social da funcionalidade do reino de Deus, focando única e exclusivamente na vida espiritual[1].

As comunidades religiosas que tem desenvolvido trabalhos na área da pessoa idosa com certeza estão satisfeitas com esse ministério, pois é muito gratificante ser agente facilitador e estimulador no processo de desenvolvimento das capacidades físicas e modo de convivência através de encontros na igreja e/ou fora dela.

Se alguns segmentos sociais rejeitam e desamparam a política a favor do idoso o fiel não deve seguir o mesmo caminho.

Certa pessoa ligada ao Ministério com Idoso em sua comunidade declarou: “Achamos interessante que após a criação deste ministério, vemos idosos felizes, contentes e menos ociosos. É gratificante”. Sim, é uma realidade a observação dessa pessoa, pois o idoso em convivência é mais feliz, é uma benção ao invés de “peso”.

Iniciativas como estas, tanto das forças eclesiásticas, governamentais e sociedade civil colaboram para que os idosos sejam valorizados e diminua a discriminação social. Nunca esqueça! Os anos vividos podem até dificultar a acessibilidade, mas nunca o direito de cidadania, e isto todos precisam saber.

LIVRO COMPLETO. Essa publicação encerra o texto do livro.


[1] Mateus 25, 35 a 40.

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