Ceia do Senhor: A Maior de Todas as Alianças

Não há em todo o Novo Testamento outra passagem de maior interesse que esta; ela nos dá o aval para o mais sagrado ato de adoração na Igreja, o sacramento da…

Ceia do Senhor: A Maior de Todas as Alianças – 1ª Coríntios 11, verso 25 – Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.

Queridos. Não há em todo o Novo Testamento outra passagem de maior interesse que esta; ela nos dá o aval para o mais sagrado ato de adoração na Igreja, o sacramento da Ceia do Senhor. A Carta aos Coríntios é anterior a Marcos, portanto estamos diante do primeiro relato escrito das palavras que Jesus pronunciou. A declaração de Jesus, “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”, pode ser traduzida, por “Esta taça é a nova Aliança e custou o meu sangue.” 

Uma aliança é uma relação estabelecida entre duas pessoas. Havia uma velha aliança entre Deus e o homem, uma velha relação baseada na lei. Foi por meio dessa relação Deus escolheu o povo de Israel e se convertendo em seu Deus; mas havia uma condição. O povo devia guardar a Sua lei, conforme Êxodo 24, versos de 1 a 8. Isto é, A continuidade da aliança dependia de que se guardasse a lei.

Agora, com Jesus estamos perante uma nova relação, que não depende da lei, mas amor. Não depende da habilidade que o homem tenha em guardar a lei, visto que ninguém pode fazê-lo, mas na graça do amor de Deus que se oferece a todos os homens.

Isto mudou toda a relação de Deus com o homem. Na velha aliança o homem temia a Deus, pois se encontrava sempre em falta, já que não podia guardar completamente a lei. Na nova aliança o homem se aproxima de Deus como um filho do seu pai e não como um criminoso perante um juiz.

Queridos. O sangue é a vida” diz a lei em Deuteronômio 12, verso 23, e ele custou a vida de Jesus para fazer com que esta relação fosse possível. De modo que o vinho da Ceia do Senhor significa a própria vida e sangue de Cristo, sem a qual a nova aliança, a nova relação do homem com Deus jamais teria sido possível.

A Ceia do Senhor representa a nova Aliança entre Deus e o seu povo, uma aliança sagrada que transcende qualquer outro acordo. Esta Aliança não é apenas um símbolo, mas uma garantia concreta da herança divina que recebemos através de Jesus Cristo. Ao participarmos da Ceia, relembramos e renovamos esse compromisso, confirmando nossa fé e gratidão pela salvação que nos foi concedida. A Ceia meio de Graça.

A Nova Aliança e a Herança Divina –Na Bíblia, o termo “Aliança” (ou “pacto”) refere-se a um acordo solene entre Deus e seu povo, frequentemente marcado por promessas, responsabilidades e sinais específicos. As Alianças são um tema central na narrativa bíblica, aparecem tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos, nos lembra: “E se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos para que também participemos da sua glória” conforme Romanos 8, verso 17.

Este versículo destaca a profundidade da nova Aliança: não apenas recebemos as bênçãos, mas também somos chamados a compartilhar dos sofrimentos de Cristo. É uma herança que inclui tanto a glória quanto os desafios, reforçando nosso vínculo com o Salvador.

Confirmação da Aliança Abraâmica –A nova Aliança, simbolizada pela Ceia do Senhor, não apenas confirma, mas eleva a Aliança feita com Abraão.

Em Atos 3, verso 25, somos lembrados: “Vós sois os filhos dos profetas e do concerto que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: ‘Em tua descendência serão benditas todas as famílias da terra'”. Esta Aliança Abraâmica, agora é amplificada através de Jesus, e abrange todos os povos, confirmando a promessa de bênçãos eternas.

Salvação Garantida –A Ceia do Senhor também revela a salvação dos eleitos. Em Hebreus 2, verso 3, lemos: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram”.

Esta Aliança é a nossa segurança eterna, confirmada pelo próprio Cristo e pelos apóstolos. Ao participarmos da Ceia, reafirmamos nossa aceitação dessa salvação e nos comprometemos a viver de acordo com os princípios do Evangelho.

Aplicação Universal da Aliança –A missão transformadora de Cristo não conhece limites. A nova Aliança é universal, abrangendo todas as nações, raças e culturas. Portanto a Ceia do Senhor é um convite aberto a todos para participarem desta aliança divina. Na 1ª carta aos Coríntios 11, verso 25, Paulo nos lembra que, ao tomarmos o cálice, proclamamos a morte do Senhor até que Ele venha, celebrando a abrangência e a eternidade desta Aliança.

Queridos – A Ceia do Senhor é a maior de todas as Alianças, é um testemunho vivo do amor e da graça de Deus. Ao nos aproximarmos da mesa, devemos fazer um exame de consciência, confessar nossos pecados e lembrar que é pela graça, não pela Lei, que somos salvos.

Jesus nos convida a participar deste grande banquete espiritual, garantindo que, apesar de nossas imperfeições, somos bem-vindos à Sua mesa. Então agora, em um espírito de humildade e gratidão, vamos renovar nosso compromisso com Cristo, lembrando que somos filhos e herdeiros de Deus, chamados a partilhar tanto da Sua glória quanto do Seu sofrimento.

Que possamos viver cada dia refletindo o amor e a graça que recebemos, até o dia em que estaremos todos reunidos no grande banquete celestial. Amém.

Sermão ministrado no culto vespertino do dia 02 de junho de 2024, pelo Rev. Pinho Borges, na Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo em Recife Pernambuco

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