No mar da Galileia a manhã respira brisa,
O sol borda o espelho d’água com fio de luz;
Barcos cochicham segredos na mesma brisa,
E o dia aprende a nascer vestido de luz.
Redes cansadas sonham peixes na velha rede,
Mãos simples repartem o pouco como pão;
O chamado atravessa a água e prende a rede,
E a fome descansa quando a fé vira pão.
Quando o céu se fecha e o medo vira tempestade,
Um passo sobre as ondas responde à voz;
O caos se ajoelha ao ouvir “paz” na tempestade,
E o coração se aquieta ao reconhecer a voz.
Ali a noite aprende a chamar-se esperança,
Pois cada remo sabe o rumo do mar;
Quem lança a alma volta cheia de esperança,
No mar da Galileia, onde o amor é mar.

